Para além das questões de corrupção bombardeadas constantemente pela mída, várias conquistas dos trabalhadores e dos movimentos sociais vêm sendo derrubadas sem grande alarde, mas com um grande poder de destruição. A mudança do ministro da Saúde é uma delas. Coloca-se um sujeito afinado com o setor privado da saúde, o que coloca em risco o SUS. Esse sujeito, por sua vez, nomeia como coordenador de Saúde Mental um conhecido diretor de um dos piores hospitais psiquiátricos do país, denunciado por graves violações dos direitos humanos em 2000 por uma caravana da Câmara Federal que visitou vários hospitais psiquiátricos brasileiros.
As constatações dessa caravana foram fundamentais para a aprovação da Lei nº 10.216 em 2001. Esse mesmo hospital era um dos que mais recebiam verba do INAMPS em 1980, denunciado pelo Movimentos dos Trabalhadores em Saúde Mental como a indústria da loucura. Esse hospital era propriedade de um ex-ministro da Saúde na época da ditadura militar.São sujeitos que enriquecem às custas do sofrimento humano e contribuem para aumentar esse sofrimento com violência, maus tratos e torturas. Esses sujeitos foram gradativamente sendo alijados dessa forma de ganhar dinheiro mas não desistiram.
Agora buscam retornar para novamente impor a lógica manicomial na saúde mental. Favorecer os empresários da loucura que irão violentar os sujeitos acometidos por transtornos mentais e trancafiá-los em um hospital por toda a sua vida. Não podemos permitir isso! Temos que reunir os usuários, familiares, serviços de saúde mental, conselhos populares, todas as entidades, organizações, conselhos profissionais, universidades e todos aqueles comprometidos com essa luta e que foram atores nesse processo de quase 40 anos.
Não vamos retroceder! Nossa luta é em defesa da Rede de Apoio Psicossocial (RAPS), do retorno do coordenador de saúde mental exonerado e do fim dos manicômios! Nenhum passo atrás, manicômio nunca mais!