09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Marina, tô de mau...

Márcio M. Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Marina Silva, quando por coerência saiu do PT já envolvido no Mensalão e com sua condição de self made womam, parecia uma grande e feliz novidade para a política brasileira. Com uma história de vida ainda mais significativa do que a de Lula, sem os cacoetes socialistas e os vícios sindicalistas do primeiro e se apresentando como imune à corrupção, fizeram com que ela, do nada e com pouca estrutura, chegasse a 21,32% e mais de 22 milhões de votos na última eleição para presidente.


No entanto, as incoerências começaram a pipocar, proposta rasa sem profundidade e discurso vago levantaram as suspeitas da competência e até mesmo suspeitas de corrupção por parte do marido e do ex-companheiro de chapa, até no jato acidentado de origem duvidosa e que foi por ela utilizado muitas vezes. Até aí se poderia dizer que todos fazem, mas a proposta de uma nova política sem as mazelas e corrupção dos demais, sem o jogo político eleitoral e pensando no melhor para o Brasil, não condiz com estes fatos.


Visitando Bauru, surpreendentemente Marina se mostrou favorável à absurda condição de asilado político do assassino italiano condenado Cezare Batistti, em posição em cima do muro sobre aborto e de lá pra cá tem abandonado sua posição neutra para uma inimaginável postura de socialista evangélica, tentando se apoiar em duas canoas que tem absolutamente de trajetos opostos.


Mais do que isto Marina nunca questionou os erros e a corrupção petista exceto durante a campanha e ainda assim cuidando exageradamente de não incluir o seu ídolo Lula. Mais recentemente, quando a operação Lava Jato chegava cada vez mais perto de Lula, novamente Marina continuou na muda, sem se comprometer com o impeachment para agradar seus novos filiados do PSOL e ainda os remanescentes do quase finado PT.


Mas a pá de cal desta situação é que Marina agora saiu do muro para junto com o seu pequeno partido, se pronunciar contra o pedido de impeachment da presidente, alegando que ela foi eleita e seria desrespeito aos eleitores. No entanto, Marina apoia o impeachment por via judicial, no Supremo, pois lá seriam penalizados além de Dilma a Temer e novas eleições convocadas e daí, de acordo com interesse imediato de Marina, curiosamente aí ela não vê problemas em desrespeitar os votos do eleitor.


Por todas estas, parodiando a música, “Estou de mal com você Marina”, mais uma esperança que se transforma em medo de mais uma aventura em direção à esquerda neobolivariana, sob a órbita do lulismo, de consequências tão nefastas na América Latina.