10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Gastos com alimentação atingem 30% do orçamento, segundo IBGE

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Os gastos com alimentação levam cerca de 30% do orçamento familiar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A batata, ingrediente fundamental no prato predileto do brasileiro, ficou 91% mais cara em 12 meses, puxando a alta do restante da tradicional refeição: arroz, feijão, bife e batata-frita.

Os outros itens também estão mais “salgados”. E quem faz esse levantamento não é só o consumidor, que sente no bolso quando vai comprar. Os dados são de quem vende. Constam em um levantamento feito pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), utilizando dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS). Isso significa que os consumidores precisam estar mais atentos na hora de ir às compras para fazer o dinheiro do mês chegar mais longe.

O levantamento, feito de outubro de 2014 a outubro passado, chegou à conclusão de que o prato predileto do brasileiro está bem mais “indigesto“ às finanças das famílias. No período de 12 meses, o preço do arroz subiu 4,99% e o feijão teve alta de 39,29%. O bife também subiu, tanto a alcatra (15,77%) quanto o coxão-mole (11,31% em 12 meses).

De acordo com o gerente de Economia e Pesquisa da Apas, Rodrigo Mariano, os preços impactam diretamente o poder de compra da população, já que a alta de itens de primeira necessidade, que integram a cesta básica da maior parcela das famílias, reflete de maneira mais expressiva nas classes de renda baixa.

“Para a população mais pobre, cerca de 30% do salário são destinados às compras de alimentos e bebidas, enquanto para a média dos brasileiros os alimentos representam, aproximadamente, 20% destas despesas”, analisa Mariano, em um levantamento que praticamente repete os números do IBGE.

Por outro lado

Se serve de consolo, houve uma desaceleração dos preços dos produtos in natura em outubro em função de uma maior oferta, da melhora no clima e do período de safra de alguns artigos, o que favoreceu o cultivo de frutas, legumes e verduras. “Isso ajudou a evolução mais moderada no indicador geral de preços nos supermercados. Ou seja, não fosse o comportamento de desaceleração dos preços dos produtos in natura, a inflação dos supermercados neste mês seria ainda mais alta”, enfatiza Rodrigo.

Para o economista, a pressão sobre os custos continua sendo o principal fator a comprimir os preços dos produtos. Ele citou como exemplos o reajuste no preço da energia elétrica e a variação expressiva do dólar.

Preferidos

Vale lembrar que, em reportagem veiculada no domingo, o JC mostrou que, mesmo com a alta da inflação, os consumidores mudam hábitos no momento de ir às compras, mas não deixam de levar para casa um ou outro item de que mais gostam. Mais pesquisa, compras em mais de um estabelecimento, em menor ou maior quantidade de acordo com a oferta e opção por marcas mais baratas principalmente na aquisição de produtos de limpeza e higiene pessoal são algumas das estratégias adotadas pelos consumidores para compensar e não abrir mão dos “preferidos”.

Bauru e região

Em 2013, a região de Bauru foi responsável por 2,3% do faturamento do setor supermercadista no Estado, o que equivale a aproximadamente R$ 1,8 bilhões. Aqui, o setor emprega, aproximadamente, 11 mil colaboradores. E, assim, o setor desponta como uma das principais atividades do comércio e do PIB da região. Só na cidade de Bauru, o setor de supermercados faturou no ano passado R$ 642 milhões, o que equivale a 33% da região e 0,80% do faturamento de todo o Estado de São Paulo.

Valor do dólar contribuiu para alta da carne bovina

A variação do dólar contribuiu para a exportação de carnes brasileiras, o que consequentemente reduziu a disponibilidade interna do produto e impactou a alta de preços. A constatação é da Apas, por meio do IPS, índice calculado mensalmente pela Apas/Fipe. Por exemplo, no levantamento de setembro deste ano, foi registrada alta de 2,28% no preço da carne bovina só naquele mês. Ao longo dos últimos 12 meses (até outubro), houve reajuste de 14,15%. Ainda de acordo com os dados do órgão, o aumento tem relação com as cotações dos bovinos que subiram ao longo de 2015 e refletem nos preços ao consumidor final.

O aumento no preço da carne bovina impactou também o preço da carne suína, pois a tendência é a de o consumidor mudar seus hábitos de compra, gerando assim um desajuste entre oferta e demanda. No acumulado de outubro de 2014 a outubro de 2015, houve alta de 8,77%.

No caso das aves, as cotações apresentam elevação diante de desajustes da oferta e, consequentemente, menor disponibilidade do produto. Isso sem falar da elevação das exportações que impactam diretamente os preços das aves no mercado interno. No acumulado dos 12 meses analisados, a alta nos preços das aves foi de 6,42%. Já comparando com os peixes, o comportamento dos pescados teve alta de 10,13% em 12 meses.