09 de julho de 2026
Política

Grupo de militantes de esquerda cria comitê anti-impeachment

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Vitória, Edmar, Osmar, Brito, Bruna e Ivone estão à frente do movimento com caráter regional

Acontece nesse sábado (19), a partir das 10h, no Calçadão da Batista, o primeiro ato do “Comitê Regional de Luta Contra o Golpe e o Impeachment de Dilma Rousseff”, formado em Bauru por um grupo de militantes de esquerda. Atividades de panfletagens acontecerão todos os sábados, na quadra 4 da via.

Simpatizante do PCO (Partido da Causa Operária) e um dos líderes do movimento, Osmar Brito explica que a mobilização não está vinculada a uma legenda  ou a setores específicos e pretende agregar todos os contrários à tentativa de afastar a presidente da República do cargo. “Aceitamos todas as demais divergências porque elas devem ficar de lado em favor da defesa da democracia”, aponta ele.

Além de Brito, apresentaram o comitê à reportagem do JC a militante de movimento estudantil Vitória Catarina; Edmar Oga da Silva, que atua na oposição à Apeoesp; Bruna Gomes dos Reis, simpatizante do PT; e a aposentada Ivone Ferreira.

O grupo alega que não há motivação jurídica que justifique o processo de impeachment contra Dilma, o que já caracterizaria a “escalada golpista”. “Estão se apegando à questão das pedaladas fiscais. Quem não as faz no orçamento doméstico quando a situação aperta?”, questiona Osmar.

INTERNACIONAL

De acordo com os militantes, desde 2012 o País vem sendo tomado por uma onda conservadora, que coincidiria com mudanças na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Para eles, o movimento teria relação com outras tentativas de golpe a “governos populares” da América Latina.

“Desde então, falsas Ongs, como o Movimento Brasil Livre, estão sendo oxigenados. Houve uma tentativa de impedir a reeleição de Dilma. Não foi possível. Por outro lado, apostaram na formação do Congresso conservador, financiado por muito dinheiro que veio de fora. Pregam o golpe com o objetivo de barrar os programas sociais”, avalia Brito.

Segundo ele, o mote da corrupção não passa de pretexto, haja vista o envolvimento em denúncias de um dos principais protagonistas da empreitada antigovernista, o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Para Edmar Oga, toda a “articulação golpista” também visa o controle do Pré-Sal brasileiro, “mesma motivação para as tentativas de intervenção na Venezuela”.

FORA, LEVY!

Apesar de defender a continuidade do governo Dilma, o Comitê Regional de Luta Contra o Golpe prega o afastamento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, principal entusiasta do ajuste fiscal promovido pela presidente.

“O ajuste só atende a interesses dos bancos. 45% do PIB brasileiro [R$ 1,3 trilhão] é destinado para o pagamento da dívida pública; algo parasitário, que não gera riquezas. Por isso não sobram recursos para a educação, saúde e reforma agrária”, avalia Osmar.

Propostas

O Comitê Regional de Luta Contra o Golpe defende a necessidade de uma Assembleia Nacional Constituinte, de caráter popular, que tenha a missão de reestruturar as instituições do País, pois as atuais não estariam “à altura das necessidades da sociedade”.

O grupo prega, por exemplo, a extinção do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF); a eleição de juízes com mandatos não vitalícios; e o fim dos bancos privados.