10 de julho de 2026
Cultura

Irmã lamenta morte do humorista Escova

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Jornal Debate
O radialista e humorista Carlos Roberto Escova na Melodia FM

Entrevistado pelo apresentador Jô Soares em 1991, no SBT, Carlos Roberto Escova fez algumas das muitas imitações que o tornaram conhecido no rádio e na televisão, como a de Pelé. Foi na telinha, só que na Band, ao lado de Nélson Tatá Alexandre, que ele brilhou no palco do “Perdidos na Noite”, antiga atração de Fausto Silva nos anos 80.

O brilho de Escova se apagou domingo, em Ourinhos, aos 60 anos. Ele foi sepultado às 15h de segunda-feira (21) no Cemitério Municipal daquela cidade após homenagens prestadas por amigos e por Divina Yamamoto, 67 – irmã com quem vivia desde 2006.

“A vida dele era uma boa piada no sentido de que fazia graça de tudo”, conta ela. “Pena que, em 2015, a saúde começou a debilitar por causa de problemas no pulmão e no coração. Nos últimos dias, vivia acamado até ser internado na UTI da Santa Casa. Deram toda atenção, mas também pegou uma infecção. Ficou difícil reagir”. A bronquite desde criança não impediu Escova de ser comunicador.

Ainda adolescente, iniciou carreira na Jovem Pan de São Paulo. Lá, foram duas décadas de humor – mais oito na Rádio Globo, além da Excelsior (hoje CBN) com programa “Balancê” (criação de Osmar Santos).

Em 2006, após morar em Miami, foi visitar a irmã em Ourinhos – e lá permaneceu trabalhando primeiro na Rádio Clube e, mais recentemente, na Melodia FM. “Sou muito grata à atenção que o pessoal da Melodia destinou a ele, especialmente nos momentos finais”, diz Divina.

Sobre a convivência diária interrompida, a irmã ainda está “tomando pé” da situação: “Fazia tudo para mim, pagava as contas, e sempre brincando, sempre rindo... Vamos ver como será agora sem ele”. Escova também deixa duas filhas que moram no Rio Grande do Sul.

Você sabia?

Escova também passou por Gazeta e Record, na capital paulista, e rádios Atlântida e Gaúcha em Porto Alegre

Confusões no ‘Perdidos na Noite’

Ao editor do JC, Aurélio Alonso, em 2013, Escova lembrou que o programa “Perdidos na Noite” na Band, com Faustão, era improviso total. E teve até briga – de verdade. 

“O cantor Ovelha estava no camarim bebendo. A gente satirizava os artistas antes de entrarem no palco. Na hora de anunciar: agora vem aí a cabra e imitamos o som. O Ovelha não gostou. Partiu para cima”. Outro episódio confuso ocorreu com o controverso cantor e político Agnaldo Timóteo. Escova e Tatá (hoje fora do meio artístico) fingiram uma briga ao lado de Fausto Silva. “Sem querer acertamos o Timóteo. Ele abandonou o microfone e começou a bater na gente”.

‘Piada é de um minuto e meio’

Em entrevista ao Jornal da Cidade, há dois anos, Escova dizia: “Aprendi com Chico Anysio: a piada tem que ter um minuto e meio até passar para outra. Se não agradar, vai fazendo até achar a linha do personagem. Sem agredir aos outros”. Escova se dizia crítico em relação a atrações de TV que lançam mão de ofensas e provocações.