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| Kwiek é o atual técnico da seleção dominicana feminina e irá conciliar as duas atividades |
A diretoria do Concilig Vôlei Bauru anunciou, nessa quarta-feira (23), a contratação do técnico Marcos Kwiek para comandar a equipe na Superliga 2015/16. Kwiek se apresenta à equipe bauruense no dia 15 de janeiro, após dirigir a seleção feminina da República Dominicana no pré-olímpico da Confederação de Voleibol da América do Norte, Central e Caribe, disputado entre os dias 7 e 9 de janeiro nos Estados Unidos.
Kwiek assina contrato com o Concilig Vôlei Bauru até o final da Superliga 2016/17 e vai conciliar o trabalho com a seleção dominicana. O comando da equipe bauruense até a chegada do novo técnico ficará com o seu assistente e irmão, Fabiano Kwiek, que se apresenta ao time no próximo dia 2 de janeiro, data da reapresentação do elenco após as festas de final de ano. A equipe volta a jogar no dia 12 de janeiro, fora de casa, contra Valinhos.
Com 48 anos, Kwiek trabalhou em equipes do Brasil como Barueri, Hebraica, Unisul, Mackenzie e Osasco, à frente das categorias de base ou como assistente técnico. O Pinheiros, na temporada 2007/08, foi o primeiro trabalho como técnico de uma equipe adulta, terminando a Superliga na terceira posição. Foi assistente técnico de José Roberto Guimarães na seleção brasileira feminina entre 2003 e 2007 e assumiu a seleção da República Dominicana em 2008.
Há sete anos e meio Kwiek comanda não somente a seleção feminina adulta, como é coordenador técnico de todas as categorias do voleibol feminino na República Dominicana. Desde que assumiu, o país passou a disputar competições internacionais como o Grand Prix, Copa dos Campeões, Jogos Pan-Americanos e esteve em dois mundiais. Entre as conquistas, se destacam a terceira colocação na Copa dos Campeões de 2009, título continental no mesmo ano, prata no mundial juvenil de 2009, prata no mundial sub-23 do México em 2013 e ouro no mundial juvenil de 2015.
O vice-presidente do Concilig Vôlei Bauru, Reinaldo Mandaliti, afirma que a escolha de Kwiek foi baseada não apenas em recuperar a equipe na Superliga, mas também na experiência do técnico com as categorias de base. “Nós escolhemos o Marcos Kwiek porque temos um projeto de longo prazo e pretendemos investir nas categorias de base, na formação de atletas, e ele possui vasta experiência nessa área. Já temos uma parceria com a equipe de Nova Trento (SC), com o infantil e o mirim, e pretendemos expandir o trabalho na base. É claro que, também esperamos que ele acerte a nossa equipe na Superliga, pois temos um segundo turno todo pela frente e totais condições de chegar aos playoffs”, explica o dirigente.
‘Ideia é trabalhar para permanecer na elite e, se possível, classificar aos playoffs’, diz Kwiek ao Jornal da Cidade (JC). Em entrevista ao JC, nessa quarta (23), o paulistano Marcos Kwiek, cujo sobrenome origina-se de sua descendência russa, fala um pouco dos seus planos para a equipe bauruense:
JC - Como você pretende conciliar as duas funções (técnico do Concilig/Bauru e da seleção dominicana)? Não teme que isso possa prejudicar de alguma forma as duas atividades?
Kwiek - Tenho certeza que não prejudicará nenhum dos dois projetos. A maioria dos técnicos de seleções hoje em dia trabalham em clubes e seleções. Os calendários permitem esse acúmulo de funções e conto com comissões técnicas que me deixam tranquilo no desenvolvimento do trabalho.
JC - Do atual grupo do Concilig/Bauru, já trabalhou com alguma das jogadoras?
Kwiek - Trabalhei com a Fernanda Ísis nas categorias de base do Finasa e com a Valesquinha e a Érica no Finasa. Algumas já conheço há algum tempo de jogar contra ou de acompanhar o trabalho.
JC - Qual sua visão sobre o elenco atual da equipe? Pretende solicitar reforços?
Kwiek - Como falei anteriormente, não me sinto confortável em chegar no meio de uma temporada, com uma equipe já montada, onde não participei da montagem, mas tudo aconteceu muito rápido e a única opção foi essa. Sobre a atual equipe, estou conhecendo aos poucos. Já vi alguns jogos e só vou poder ter opinião quando estiver trabalhando no dia a dia com elas. Para essa edição da Superliga, esse será o elenco com o qual vamos trabalhar.
JC - Você já declarou que seu objetivo é trabalhar com os pés no chão, sem imediatismo, com o objetivo de fazer boa campanha. O que almeja como boa campanha? Terminar, por exemplo, em qual colocação na Superliga?
Kwiek - Falar de colocação é muito difícil. Primeiro tenho de conhecer as jogadoras e saber até aonde podemos chegar. Minha ideia é trabalhar exaustivamente para poder permanecer na elite da Superliga e, se possível, classificar para os playoffs. Mas isso só saberei quando estiver no dia a dia com a equipe.
JC - Você já conheceu os detalhes do projeto e dos planos do time bauruense para o futuro, como ampliar o trabalho nas categorias de base, uma de suas especialidades na carreira. Isso é algo já para ser implantado a curto prazo? De que forma (com lançamentos de escolinhas, projetos sociais, etc)?
Kwiek - Tivemos breve conversa e coloquei meu desejo de que se formasse uma equipe juvenil, pois tenho certeza que será muito importante para o crescimento e consolidação do projeto e coincidimos nessa opinião, o que foi muito importante para minha decisão de acertar com Bauru. Vou estar em contato direto com as pessoas e com todos envolvidos no projeto quando me apresentar e aí teremos oportunidade de nos conhecermos melhor. Tenho muitas ideias e acho que podemos realizar grandes coisas juntos.
Projetos e desafios
Sobre o fato de voltar a trabalhar no Brasil, Marcos Kwiek diz ter aceitado o convite por acreditar no projeto do Concilig Vôlei Bauru. “Durante todo esse tempo que estou aqui na República Dominicana, todo ano algum clube me convida para voltar a trabalhar no Brasil, mas sempre deixei claro que só retornaria se houvesse um projeto consistente, de longo prazo. Quando fui convidado pela diretoria de Bauru, fiz questão de ir conhecer o projeto, conversar com as pessoas envolvidas, saber como tudo funciona, e senti segurança em tudo que me foi passado. Por isso aceitei a proposta”, explica.
Marcos sabe das dificuldades que terá pela frente por pegar uma equipe no meio de uma competição tão difícil como a Superliga, mas acredita no potencial do elenco bauruense. “Chegar assim, com o campeonato já em andamento, com uma equipe que não montei, não escolhi as atletas, é sempre complicado. Mas sei que é um grupo com potencial, com boas jogadoras e que tem condições de se recuperar na competição. As minhas expectativas são as melhores possíveis, pois a diretoria me deu total liberdade de trabalho e com o tempo vou dar a minha cara para o projeto de Bauru. Vamos trabalhar com os pés no chão, sem imediatismo, com o objetivo de fazer uma boa campanha este ano e já projetar a equipe para a próxima temporada.”