08 de julho de 2026
Geral

Festas disparam vendas de antiácidos e digestivos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Quioshi Goto
Antônio Benevides: “Nesse período do ano, o pessoal costuma comer comida com tempero forte, como a carne de porco”

O aumento no consumo de alimentos e bebidas alcoólicas nas festas de final de ano tem um efeito quase que imediato: cresce o número de pessoas em busca de proteção para o fígado e estômago e alívio para o mal-estar decorrente dos excessos.

Em uma farmácia consultada pelo JC ontem, a venda de antiácidos, analgésicos e hepatoprotetores subiu quase 70%. Apesar de alguns medicamentos terem o uso liberado, o Conselho Regional de Farmácia (CRF) alerta para os exageros.

As farmácias de Bauru  visitadas pela reportagem disseram que, entre os mais jovens, a procura maior é por remédios que prometem proteger o fígado e evitar ressaca. Já o público adulto está mais preocupado em evitar ou aliviar os efeitos do consumo exagerado de alimentos.

Antônio Benevides, balconista de um dos estabelecimentos consultados e estudante de farmácia, conta que a procura por medicamentos como antiácidos, analgésicos e hepatoprotetores na unidade, que fica no núcleo Mary Dota, cresceu aproximadamente 70% em relação aos demais meses.

“Nesse período do ano, o pessoal costuma comer comida com tempero forte, como carne de porco, e aumenta bastante a procura de antiácido para alívio da má digestão”, diz. “Vem muita gente de fora, Capital e Interior, passar as festas na casa de parentes e acaba levando para a família toda”.

Em uma farmácia na Vila Cardia, o farmacêutico Renato Minutti revela que o aumento nas vendas desses remédios, sobretudo os que protegem o fígado, cresceu cerca de 20%. “As pessoas se preparam porque vão comer um pouco mais. Acho que nem é tanto por causa da bebida”, afirma.

Se tem quem procura remédios para se proteger, há aqueles que não se afetam tanto pela data e nem no feriado dispensam os exercícios físicos.


Cautela

Os dois profissionais explicam que esses medicamentos têm a venda liberada, mas ressaltam que, como todo remédio, devem ser utilizados com cautela e moderação. Segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Estado de São Paulo, o abuso deve ser evitado por graves riscos à saúde do paciente.

A assessora técnica da entidade, Amouni Mourad, alega que o consumo exagerado de medicamentos para o mal-estar do aparelho digestivo, como o omeprazol, pantoprazol e lansoprazol, pode mascarar sintomas de doenças mais graves, como o câncer, e levar à hemorragia gastrointestinal quando misturados com álcool.

Ela explica que essas substâncias podem dificultar a absorção de nutrientes indispensáveis à saúde. Mourad também chama atenção para o uso abusivo de hidróxido de alumínio e bicarbonato de sódio, contra o chamado “refluxo”, que pode resultar em alterações intestinais e elevação do pH sanguíneo.