O desgaste físico e mental provocado por dores intensas não impediram que Lais de Oliveira Vaz, 20 anos, lutasse pela vida. Diagnosticada com Síndrome de Arnold-Chiari, uma malformação rara do Sistema Nervoso Central (SNC), ela passou por uma cirurgia que não surtiu o efeito esperado, mas não desistiu tão fácil. Desde setembro deste ano, ela lançou uma campanha para arrecadar dinheiro e se submeter a um tratamento não invasivo na Espanha.
Filha de pai aposentado e mãe dona de casa, Lais teve uma infância humilde e sem qualquer problema de saúde. Contudo, aos 17 anos, ela começou a sentir fortes dores de cabeça e, por mais de um ano, os laudos médicos apontavam para enxaqueca crônica. Como a sensação só piorava, a jovem realizou um exame de ressonância magnética, que permitiu o diagnóstico da doença. Com muita dor, teve de desistir da faculdade e do trabalho.
Lais se submeteu a uma cirurgia, única opção de tratamento proposta a ela. Porém, o procedimento não teria surtido o efeito esperado. “Eu levei 20 pontos na cabeça, demorei três meses para voltar a andar sozinha e ainda sinto muita dor”, acrescenta, com os olhos marejados. Embora debilitada, a jovem insistiu em lutar e descobriu que o Instituto Arnold-Chiari, na Espanha, oferece um tratamento não invasivo.
Laís conta que a cirurgia proposta pela instituição europeia não é realizada pelo crânio, conforme aquele procedimento pelo qual ela se submeteu recentemente. “O principal objetivo da cirurgia espanhola é barrar a progressão da doença, já que Chiari é uma síndrome crônica e degenerativa, podendo levar à paralisia total do corpo, além da morte súbita”, explica. Todavia, Lais não tem condições financeiras para bancar, sozinha, a viagem, a hospedagem e a cirurgia, gastos que chegam à casa dos R$ 100 mil. Ela usou as redes sociais para lançar a campanha “Unidos pela Lais, juntos vencendo Chiari”.
Todos podem ajudar
O caso de Lais chegou até a balconista Franciely Dias Caçador, 22 anos, que costuma promover eventos em prol de crianças com câncer. “Ela descobriu que eu faço essa atividade e pediu minha ajuda”, narra Franciely, que conseguiu doações de produtos, desde eletrodomésticos até kits de beleza, e realizou um show de prêmios , que arrecadou R$ 7 mil.
A ideia, segundo a balconista, é continuar promovendo eventos semelhantes até que Lais consiga o valor. Já para aqueles que quiserem ajudar, basta depositar qualquer valor para a agência 1996, operação 013 e conta 00028866-8, na Caixa. Se alguém quiser conhecer a história da garota, pode procurar “Unidos pela Lais, juntos venceremos” no Facebook ou entrar em contato pelo (14) 99736-4419 e (14) 99668-1184.
Cirurgia
No dia 1 de julho de 2014, Lais se submeteu a uma cirurgia de descompressão de crânio, que, segundo ela, é o único tratamento para a doença utilizado no Brasil. “Eles retiraram parte do osso da nuca e da coluna, mas não deu certo”, critica. Diante disso, a garota encontrou outro método de cirurgia, só que não invasiva, feita por uma instituição espanhola que estuda a doença. Ela até recorreu à ajuda do Estado, mas conta que o procedimento realizado em Barcelona não é reconhecido pelo Ministério da Saúde brasileiro. “Eu tenho de lutar, porque a cirurgia que fiz só tirou o risco de morte súbita. Posso perder o movimento das pernas, por exemplo”.