09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conselho Tutelar: o dono das provas

Guilherme Melo - Conselheiro Tutelar
| Tempo de leitura: 3 min

Ao longo dessas últimas semanas venho acompanhando através deste jornal as várias manifestações de moradores, candidatos e autoridades da nossa cidade sobre as denúncias feitas referente às eleições dos membros do Conselho Tutelar gestão 2016-2020, do qual eu sou candidato. Até a presente data não me manifestei por motivos óbvios. Ganhei na Justiça uma liminar que me deu o direito de registrar minha candidatura depois de ter a mesma indeferida. Consegui essa vitória pois provei judicialmente, ao contrário do que a senhora presidente do CMDCA, Sandra Franco, e o prefeito Rodrigo Agostinho disseram publicamente nos meios de comunicação, os privilégios que alguns candidatos tiveram no registro das candidaturas.


Eu gravei uma conversa minha com a senhora Sandra Pirola, diretora de RH da Prefeitura de Bauru e também membro da comissão do CMDCA, onde a mesma relata claramente que realizou ligações telefônicas para 6 candidatos (escolhidos sabe-se lá com quais critérios) para que eles trocassem uma declaração e pudessem registrar sem problema algum suas candidaturas.

Não contente com essa gravação, a mesma senhora fez um documento por escrito relatando as mesmas irregularidades da gravação e ainda justificando que fez as tais ligações telefônicas para que os mesmos 6 candidatos pudessem ter sua candidatura deferida e assim participar do pleito. Porém, tais chamadas telefônicas jamais poderiam ter ocorrido, já que no item 3.8 do edital do processo seletivo prevê que em nenhum momento poderia ser entregue ou complementado qualquer tipo de documento, por qualquer um dos inscritos.


A pergunta que não quer calar é: como essas duas figuras públicas puderam dar uma declaração tão importante como esta que eles deram sem ao menos investigar? Sim, população, e sim, candidatos. Ninguém investigou nada! O prefeito e o seu chefe de Gabinete se negaram a me atender quando eu queria entregar a eles as gravações, fotos e outras provas de irregularidades que acontecem dentro do Conselho Tutelar do qual faço parte desde junho de 2012 como suplente e desde novembro de 2013 como titular.


A presidente Sandra Franco e a vice- presidente Simone Escoura, do CMDCA, nunca dirigiram a palavra a minha pessoa para solicitar esclarecimentos sobre o que estaria acontecendo, mas a mesma presidente veio a público e declarou que não iria investigar nada, pois estava convicta que não existiu favorecimentos. Se não existiu, por que mudaram a data da eleição? Por que eu consegui na Justiça essa liminar?


São tantas as perguntas e tão poucas respostas, mas ainda tenho esperanças de que as verdades venham à tona através do nobre vereador pastor Roberval Sakai, que levou até a tribuna da Câmara dos Vereadores de Bauru as denúncias e solicitou a abertura de uma CEI para investigar o que de fato ocorreu e está ocorrendo dentro do Conselho Tutelar.


Acredito que quando os vereadores tiverem acesso às gravações, fotos e a todos os outros documentos, que eu possuo, a população e nós, candidatos, vamos ter as respostas e explicações não dadas até o momento, que merecemos e a impunidade que assola esse órgão tão importante de nossa cidade que é o Conselho Tutelar chegará ao fim.