09 de julho de 2026
Articulistas

A crise instalada em 2015 e as previsões para '2017'

Jorge Martins Jr. e Carlos R. Sette
| Tempo de leitura: 3 min

O ano de 2015 começou com pouca esperança econômica, mas nada comparado ao que temos neste final de dezembro. Descobriu-se que a previdência social é insolvente, que os recursos de saúde são incoerentes, que a energia é insustentável, que, resumidamente, o governo gasta mais do que arrecada, e decidiram cobrar isso da população sem qualquer questionamento. As promessas de campanha do atual governo se foram e o país foi remapeado para ser taxado, e assim novas e antigas variáveis tiveram seus reajustes refletindo diretamente no bolso do cidadão.


As recentes cenas de discussões nas Comissões de Ética e CPIs de Brasília nem de perto representam o tão sonhado grupo de políticos que lutam por justiça e direitos do cidadão, comprovadamente são abutres lutando pelo poder roubado, todos fichados por algum crime que não conseguiram esconder, subornáveis no lado mais sujo da palavra, fazendo com que nossa casa siga sem dono, sem líder, apenas articuladores que camuflam e distorcem fatos para o próprio benefício.


Atualmente os programas sociais estão em pleno desequilíbrio com os níveis de consumo, investimentos e inflação, parte disso devido à bilionária demanda de desvios e gestão fraudulenta deste governo. A conta é relativamente simples: se não houvesse o rombo reconhecido na Petrobras (por exemplo), os itens primários estariam mais baratos (beneficiados pelo custo da safra e do frete); se não houvesse tamanha desconfiança (exterior), o dólar não estaria tão elevado (compõe custos de diversos itens de consumo); em cadeia, teríamos a redução geral de preços de insumos e serviços, esta sobra de recursos elevaria o consumo e, por fim, incentivaria o crescimento. Acontece que essa fórmula mágica não acontece da noite para o dia, nem nos mais desenvolvidos povos, são inúmeras tentativas com erros e acertos, regionalização de programas e investimentos para se conter um período inflacionário, e nada disso está sendo (nem de perto) começado em nosso país.


Enquanto os países emergentes cresceram em média 28% nos últimos cinco anos, o Brasil não passou de 5%, e para os próximos 10 anos a expectativa é de que não exceda este número. Nosso PIB encerrará próximo de 4% negativo, o desemprego perto dos 9% e a inflação batendo a casa dos 11% ao ano. Os desafios e metas para este governo em 2016 se bastarão em não piorar os cenários, retomar gradativamente o crescimento econômico, combater as fontes de inflação e o desemprego, conter a expansão dos gastos públicos, atuar no ajuste fiscal e, mais, recuperar a credibilidade perdida e convencer os investidores a apostarem em nosso país.


A questão agora é a indicação de Nelson Barbosa para o Ministério da Fazenda (empossado), ele foi o 2º homem na gestão de Guido Mantega e um dos criadores da “Nova Matriz Econômica”, considerada a principal causa do desastre econômico que hoje vivemos, e isto gerou um enorme grau de incertezas sobre o que virá em 2016. Estamos à deriva. O que será do amanhã? Feliz 2017!


Os autores: Jorge Martins Jr. é economista, MBA Controladoria e Finanças; Carlos R. Sette é economista, MSC Gestão do Conhecimento Unesp, professor universitário e diretor de empresa