09 de julho de 2026
Geral

Um casal com caminhada de 73 anos em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Jaime e Dalva conheceram-se em Bauru, cidade onde casaram dois anos após trocarem olhares

A mão é estendida para auxiliar na caminhada. Os passos são lentos, porque a força física e o equilíbrio de décadas atrás já não são mais os mesmos. Mas a mão dele estendida e, em seguida, entrelaçada com a dela permanece como um gesto inalterado.

É com este cuidado e cumplicidade diários que Dalva Assi de Almeida e Jaime de Almeida completaram, nessa quinta-feira (31), 73 anos de casados. Uma longa jornada juntos, que, na tradição, recebe o nome de Bodas de Manjerona. Ela com 89 anos, ele com 92.

Depois de tanto tempo, os dois ainda mantêm o hábito de realizar, juntos, passeios de mãos dadas. Podem ser algumas dezenas de passos por ali mesmo, na quadra 4 da rua Alfredo Ruiz, onde sedimentaram todos esses anos de casamento.

Pode ser uma volta no Calçadão da Batista de Carvalho ou no supermercado. “Nunca fui a nenhum lugar sem ele e nem ele sem mim”, afirma Dalva, reconhecendo que a pressa por ver a vida lá fora é mais dela do que dele. “Todo domingo, também vou à missa das nove horas. E o arrasto comigo. Seja para onde for”, acrescenta.

Jaime parece atender ao desejo da esposa com satisfação. O carinho dele para com ela é evidente. Dalva diz que as brigas nessas mais de sete décadas de união foram raras. “Às vezes, um fala meio grosso com o outro, mas é pouca coisa. O amor e a paciência precisam ser maiores do que qualquer diferença”, ensina.

Ele se lembra da época em que se conheceram e, através dos olhos e do sorriso, se transporta imediatamente para 1940. Dalva tinha 14 anos; ele, 17. “Ela era bonita, mas foi duro para namorar. De vez em quando, batíamos um papinho em um bar que tinha aqui na rua. Mas ela era muito nova e o pai dela era bravo. Então, namorávamos escondido na esquina”, relembra.

Botucatuense, Jaime veio a Bauru em razão de uma oportunidade de trabalho como cobrador. A empresa funcionava na rua Alfredo Ruiz, onde sua irmã, vizinha de Dalva à época, também morava. Foi por intermédio dela que o casal se aproximou.

“Brotos”

Dona de casa e bauruense, Dalva casou-se com ele depois de dois anos de namoro. Foi na residência onde ela já morava que eles viveram sua longeva história de amor. Ainda jovem, Jaime passou a atuar no ramo de mecânica de ônibus e caminhões em diversas empresas da cidade, até se aposentar.

Naquele período, ele lembra, os passeios na companhia da esposa eram ainda mais frequentes. “Íamos passar quase todo fim de semana em Botucatu, onde minha família morava. A gente gostava de viajar”, comenta. Já casados, os dois tiveram uma única filha, Meire Dalva, que deu ao casal duas netas: Telma e Dalva Mariana.

Criada pelos avós, Telma, até hoje, é quem cuida diariamente deles, levando-os a eventos, à casa de parentes, ao bingo e às compras de supermercado que eles tanto gostam de fazer. Mas, apesar do auxílio da “filha-neta”, ambos vivem, até hoje, com independência no imóvel da rua Alfredo Ruiz.

“Somos brotos ainda”, sentencia Dalva. A família, nessa quinta-feira, se reuniu na casa de Telma para comemorar a data especial e, também, a chegada de 2016, que deverá ser preenchido com mais mãos entrelaçadas e passeios compartilhados.

Você sabia?


Quem completa 73 anos de casado comemora Bodas de Manjerona, que é uma planta medicinal também de uso culinário. O termo bodas tem sua origem no latim “votum”, que significa votos, promessa, compromisso. A tradição das bodas surgiu na Alemanha, onde era costume de pequenos povoados oferecer uma coroa de prata aos casais que completassem 25 anos de união e uma de ouro aos que chegassem aos 50.  Com o passar do tempo, foram criadas outras simbologias para os demais anos.