09 de julho de 2026
Geral

"Verme do coração" ameaça passeio com animais no litoral

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Ana Carolina Borges com o shitsu Léo, em Peruíbe; antes da praia, Léo foi medicado  

Uma doença silenciosa pouco conhecida por donos de animais de estimação e que nessa época do ano é uma ameaça aos que viajam para regiões litorâneas. A dirofilariose é causada por um verme que atinge o coração dos animais e que pode levá-los à morte.

Chamada popularmente de “verme do coração”, ela é transmitida por meio da picada de um mosquito infectado, que libera os parasitas na corrente sanguínea. Com diagnostico precoce, a dirofilária pode ser tratada, mas o ideal para que a viagem não vire pesadelo é consultar um veterinário e apostar na prevenção do pet.

Prevenção

Foi o que fez a advogada Ana Carolina Borges com seu shitsu de três anos, Léo, antes de viajar para Peruíbe, na semana do Natal. “Demos todas as vacinas que faltavam antes de viajar, inclusive os medicamentos que previnem essa doença. A veterinária nos orientou sobre isso”, comenta.

Entre os compostos que ajudam na prevenção da dirofilariose estão Selamectina, Imidacloprida/Moxidectina e Ivermectina, que devem ser administrados com cinco dias de antecedência, contados da data da viagem. A aplicação deve ser reforçada no animal durante o período em que ele estiver na praia, já que o produto aplicado é válido por 20 dias.

Malavolta Jr.
O veterinário Eduardo Pasquini com a cachorra Mel: proteção

“Essa prevenção é importante porque a dirofilariose é uma doença silenciosa e os vermes se alojam na artéria pulmonar e dentro do coração”, ressalta o veterinário Eduardo Pasquini.

Além de proteger contra esse tipo de verme, essas substâncias também são indicadas para a proteção dos animais contra sarnas e vermes intestinais, além de ajudar na eliminação de pulgas e piolhos.

Transmissão

Eduardo explica que a transmissão do parasita ocorre através da picada do mosquito fêmea de uma espécie do mosquito Culex pipiens. Ele ingere a forma larvar imatura do parasita ao mesmo tempo em que ingere o sangue do cão.

Os cães doentes são o principal reservatório da dirofilariose e permitem a perpetuação da doença. Cerca de 15 dias depois da ingestão das microfilárias pelo mosquito, estas se transformam em larvas infetantes. Quando o mosquito picar outro cão, as larvas penetram no corpo do animal.

Após a transmissão das larvas de dirofilária ao cão, estas migram até às artérias pulmonares e ao coração, onde se desenvolvem até ao estado adulto. “Isso pode levar até 6 meses. As dirofilárias adultas podem medir entre 15 a 35 centímetros”, detalha Pasquini. Entre as áreas de incidência do Culex estão o litoral de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina e Mato Grosso.

Silenciosa

Dificilmente o animal demonstrará sinais clínicos em um primeiro momento. Com o tempo, a tosse crónica, a diminuição da tolerância ao exercício e a perda de peso acontecem. Posteriormente, outros sinais mais graves aparecem e podem levar o animal a morrer por insuficiência cardíaca ou até por septicemia, já que as larvas liberam toxinas.

Há estudos, no entanto, que afirmam que até 85% dos cães contaminados não apresentam sintomas até o estágio avançado da doença. O cão pode conviver com o verme durante anos sem apresentar qualquer sinal.

“A solicitação ao veterinário de um atestado da saúde do animal para fins de fiscalização nas rodovias também é outra dica para quem quer pegar estrada com o pet”, acrescenta o veterinário.

Cuidado com o calor!

As altas temperaturas do verão podem significar sofrimento aos pets. Para baixar sua temperatura corpórea, o cão aumenta a frequência respiratória, por isso a hidratação é muito importante. Evitar passeios no horário mais quente também previne queimaduras nas patinhas.

Outra dica é o uso de protetor solar sobre as áreas sem pelo, como barriga e focinho. Entre os acessórios que não podem faltar para quem pretende viajar com o pet está a coleira de identificação contendo o nome, endereço e telefone do proprietário do animal, incluindo o DDD.