10 de julho de 2026
Política

Videomonitoramento nas ruas de Bauru não sai do papel

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr./JC Imagens
Viaduto da 13 de Maio:  consumo de drogas é alvo de programa

Prometida para o primeiro semestre do ano passado com o objetivo de fortalecer o combate ao avanço do crack em Bauru, a instalação de 20 câmeras de videomonitoramento na região central da cidade parece ainda longe de se tornar uma realidade.

Em 2014, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça, do governo federal, anunciou o credenciamento do município ao programa “Crack, é possível vencer”.

Além das câmeras, seriam disponibilizados para Bauru um micro-ônibus que sediaria a central do controle do videomonitoramento, bem como dois automóveis, duas motocicletas, 50 pistolas e 150 sprays de espuma de pimenta. Tanto os veículos quanto os demais equipamentos seriam entregues à Polícia Militar.

Presidente do Comitê Gestor do programa no município e secretária do Bem-Estar Social da Prefeitura, Darlene Tendolo confirma que a União ainda não providenciou os instrumentos, que seriam de grande valia para o aumento da segurança no Centro.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Justiça, questionando se a não concretização do projeto estava relacionada com os cortes orçamentários promovidos pelo governo Dilma Rousseff em decorrência da crise econômica. Em resposta, o órgão, por meio de sua assessoria de imprensa, explicou que a entrega das câmeras não aconteceu porque foi identificada a necessidade de revisão da proposta de solução tecnológica para a implantação do videomonitoramento, “buscando aprimorá-la para a realidade das cidades a serem beneficiadas nesta etapa do programa”.

O Ministério ressalta, no entanto, que, apesar dos entraves de natureza técnica, licitará a compra das câmeras ainda em 2016. Além de Bauru, outros 11 municípios que assinaram o termo de adesão em meados do 2014 seriam contemplados com o sistema de videomonitoramento.

PONTOS

Os locais onde as 20 câmeras poderão ser instaladas serão definidos pelo 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I). O comando da corporação já adiantou, porém, que seriam contemplados pontos de consumo de drogas já conhecidos da população, como a Praça Rui Barbosa, o Calçadão da Batista de Carvalho e a rua 13 de Maio.

Embora as bases móveis de videomonitoramento prometidas sirvam para auxiliar o “policiamento ostensivo de proximidade nas cenas de venda e consumo de crack e outras drogas”, Darlene Tendolo salienta que o trabalho estará estreitamente vinculado à filosofia de Polícia Comunitária. Neste sentido, os PMs poderão orientar os usuários e encaminhá-los a unidades de saúde ou casas de passagem que acolhem dependentes.

A postos

Presidente do Comitê Gestor do “Crack, é possível vencer” em Bauru, Darlene Tendolo garante que todas as exigências ao município já foram cumpridas, inclusive a participação de agentes públicos em cursos de formação, e que a vinda das câmeras para a região Central depende apenas da compra dos equipamentos pelo governo federal. Segundo ela, os trabalhos serão articulados em conjunto pelas secretarias municipais de Bem-Estar Social e Saúde e pela Polícia Militar.

“No âmbito da Saúde, já houve a abertura do Caps Álcool e Drogas 24 horas. O acolhimento noturno também deu resultado. Percebemos um número bem menor de usuários nas ruas. Esse trabalho da Sebes constará, inclusive, na cartilha que será disponibilizada aos demais municípios pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome”, conta Darlene.

As discussões acerca da instalação do videomonitoramento começaram há quase 20 anos, mas até agora nenhuma das perspectivas anunciadas se concretizou. Ao longo de 2015, o vereador Artemio Caetano se debruçou sobre o tema e mobilizou, neste sentido, o deputado federal Capitão Augusto (PR), de Ourinhos, e o estadual Celso Nascimento (PSC).