| Polícia Civil/Divulgação |
| Pista: veículo foi encontrado abandonado com vestígios de sangue e um par de sapatilhas |
A Polícia Civil identificou o homem que agrediu violentamente uma mulher de 32 anos, encontrada nua e amarrada às margens da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva, há pouco mais de uma semana. O autor, um lavrador de 40 anos, morador de Itápolis, se apresentou na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e argumentou que agiu em legítima defesa, versão que a vítima nega.
Como a polícia ainda aguarda laudos para definir por quais crimes o homem irá responder, ele segue sob investigação em liberdade. Em razão disso, o nome dele não será divulgado pela reportagem.
Conforme o JC noticiou, a vítima foi encontrada caída, sem roupas, com as mãos amarradas para trás e ferimentos graves no crânio, na madrugada do dia 29 de dezembro, na altura do quilômetro 353, próximo à saída para o Moussa Tobias. Horas antes, a pouco menos de três quilômetros de distância, a polícia já havia localizado um Gol abandonado, com manchas de sangue e um par de sapatilhas femininas em seu interior. No carro, estavam, ainda, dois cães de porte médio, sem raça definida.
Já considerando a possibilidade de ligação entre as ocorrências, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) iniciou as apurações e conseguiu identificar o dono do automóvel. Em contato com a esposa dele, em Itápolis, ela confirmou que o veículo, assim como os cães – que foram encaminhados uma ONG de proteção animal, pertenciam ao marido.
“Ela afirmou que, naquela noite, ele estava retornando de Ubirajara, onde havia terminado um serviço em uma propriedade rural, para Itápolis. E que ele ligou para ela dizendo que havia tido um contratempo em Bauru e que iria se atrasar”, detalha o delegado Kleber Granja, titular da DIG.
Legítima defesa
Na última segunda, o homem finalmente se apresentou na CPJ, alegando que conheceu a mulher, que estaria na companhia de um rapaz, em um posto de combustíveis de Bauru, onde o lavrador teria parado na noite do dia 28 de dezembro. “Os três teriam decidido consumir drogas e foram até um ponto de tráfico no Núcleo Fortunato Rocha Lima. Depois, ainda de acordo com a versão dele, seguiram até a região do aeroporto”, detalha.
No local, o homem relatou que usou drogas com o casal no carro e, quando saiu para urinar, percebeu que estava sem a carteira, que continha R$ 1.230,00 em dinheiro e R$ 1.080 em cheques, valores recebidos pelo trabalho em Ubirajara. Ao retornar ao Gol, o rapaz fugiu e a mulher, ainda no veículo, teria tentado feri-lo com um objeto pontiagudo.
“Houve luta corporal dentro do carro. Ele diz que, em dado momento, acabou rasgando o vestido da mulher, que não estaria usando roupas íntimas. Ele alega que a amarrou e a deixou na rodovia para tentar localizar o rapaz que supostamente teria fugido com sua carteira e, ao retornar para levar a mulher para a polícia, viu luzes próximas e decidiu fugir”, completa Granja. Ao tentar escapar, o lavrador não teria conseguido dar partida no Gol e o abandonou.
Versão da vítima
Depois de se recuperar no Hospital de Base de Bauru, a mulher de 32 anos recebeu alta no dia 3 de janeiro, quando prestou depoimento na CPJ. À polícia, ela relatou ser garota de programa e disse ter sido abordada pelo lavrador na região do Núcleo Fortunato Rocha Lima, na noite do dia 28 de dezembro, para um encontro sexual.
Segundo ela, o programa não chegou a acontecer porque o homem a acusou de ter furtado sua carteira, crime que ela nega ter cometido. “Neste momento, segundo ela, ele teria começado a espancá-la violentamente. Durante horas, ela teria ficado amarrada, nua e com a cabeça sangrando”, comenta o delegado Kleber Granja.
Ele afirma que a vítima não confirmou se foi violentada sexualmente. Agora, a DIG aguarda o resultado de laudos periciais, que devem ser divulgados dentro de 30 dias, para confirmar eventual prática de estupro e precisar a gravidade das lesões sofridas pela mulher.