A greve dos médicos peritos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) completou dois meses no último dia 5 deste mês e ainda não há previsão de acordo com o governo. Nem todos os municípios, entretanto, aderiram ao movimento, como é o caso de Bauru, que, em razão da paralisação em outras regiões, registrou crescimento do número de atendimentos de perícia médica.
Em nota, o órgão confirma aumento da demanda, sem, contudo, estimar a dimensão. “Não temos dados para apresentar”, limitou-se. O INSS condiciona a regularização da situação ao fim da greve. “O que podemos informar é que houve um aumento e que a normalização desse serviço será retomada com o restabelecimento gradual das atividades da área de perícia médica nas demais unidades do Estado”, reitera.
O INSS em Bauru está sendo “pressionado” porque, desde o início da paralisação, vem atendendo demanda de outras cidades da região, cujas unidades aderiram ao movimento. Muitos, já afastados do trabalho e sem receber o salário, não medem esforços para agendar o exame, mesmo que isso signifique viajar alguns quilômetros. Afinal, o benefício é a única renda de quem está impossibilitado de trabalhar.
220 QUILÔMETROS
Este é o caso do técnico em refrigeração Walace Borges, 25 anos, morador da cidade de Bebedouro. Dependente químico, o jovem percorreu 220 quilômetros para passar por perícia em Bauru, uma vez que, na região em que ele mora, as unidades estão em greve. No entanto, Borges terá que enfrentar a estrada novamente daqui a 30 dias, pois faltou apresentar um laudo médico da clínica de Jaú, onde ele faz tratamento.
“Marcaram só daqui a um mês”, critica, acrescentando que a demora pode estar relacionada com o crescimento do número de atendimentos em Bauru. Borges disse que, em breve, será pai e conta com o afastamento para os gastos com enxoval. “Minha noiva está grávida e preciso do benefício para comprar as coisas do bebê”, frisa.
A dona de casa Maria de Lourdes Silva, 47 anos, também terá que aguardar 30 dias para nova perícia médica. Ela tenta benefício para a neta de 2 anos, que é deficiente física. “Precisarei providenciar alguns documentos. Me disseram que não tinha como agendar para alguma data mais próxima. Terei que esperar mais um pouco”, lamenta.
Paralisação
As unidades do INSS em greve estão cumprindo 30% de atendimento. O órgão calcula que, nestes locais, o tempo médio de espera para agendar uma perícia passou de 20 dias, antes da paralisação, para 49 dias.
A principal reinvindicação dos médicos peritos grevistas é a redução da jornada de trabalho, de 40 para 30 horas por semana, e ainda um reajuste de 27,5% nos salários.
Quanto aos médicos peritos de Bauru, o INSS esclarece que não há diferença no contrato de trabalho deles em relação aos demais e que não compete ao órgão prestar informação sobre o motivo pelo qual não aderiram ao movimento.
| Fotos: Douglas Reis |
| Por exame, Walace (esq;) veio de Bebedouro a Bauru e Maria de Lourdes terá de esperar mais 30 dias |