08 de julho de 2026
Bairros

A vida sob os viadutos


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João Rosan
Uma “minifeira” é montada diariamente embaixo do viaduto da rua Doutor Danilo Campana, ligação Vista Alegre e Jardim Pagani; na foto, Dorival Lira Limão

Os espaços existentes embaixo dos viadutos são usados pela população e pelo poder público de diversas formas no mundo todo. Você já reparou em alguns deles em Bauru?

Sob o viaduto da rua Doutor Danilo Campana, ligação Vista Alegre/Jardim Pagani, pela rodovia Marechal Rondon, diariamente acontece uma “minifeira”. Isso porque ambulantes montam bancas com frutas, verduras e legumes fresquinhos dos dois lados do viaduto. Caldo de cana também é oferecido no espaço para pedestres e para quem por ali passa também de carro.

Figura conhecida, Dorival Lira Limão trabalha no lugar com uma quitandinha. Aposentado, ele decidiu complementar a renda. “Mas eu sou empregado. Trabalho para um feirante. É bom o meu serviço. Aqui eu vejo o movimento, converso, faço amizades, escuto música no meu radinho... Passo o dia todo assim”, narra.

‘Opções para preencher os vazios urbanos, geralmente abandonados, são inúmeras’

O urbanismo, que é o planejamento das cidades, por muito tempo foi desenvolvido para favorecer os veículos, assim surgiram os projetos de viadutos. No passado não havia nenhuma preocupação com os vazios urbanos criados embaixo dos mesmo, que geralmente são escuros e sujos, ou seja, abandonados. Quem comenta é o arquiteto urbanista  Helton Zulato.

“Isso vem mudando. Hoje o objetivo é proporcionar espaços de qualidade para uso público. Mas para isso é necessário que nestes locais sejam instalados equipamentos públicos que criem identificação com a população em seu entorno e não somente para ocupar o espaço”, explica, exemplificando com “Marsupial Bridge”, na cidade de Milwaukee (Wisconsin), nos Estados Unidos.

No local foi implantado a “Green Highway”, um projeto que deu novo uso a um local antes abandonado, servindo por sua vez de ligação entre dois bairros. É possível encontrar brinquedos recreativos e até projeção de filmes, utilizando como assento bancos iluminados.

“No Brasil também temos boas referências, como o espaço urbanístico embaixo do viaduto AL-101 Sul, em Marechal Deodoro, trevo da Praia do Francês, que conta com uma estrutura atrativa para a população e bem iluminada. Em Belo Horizonte havia um “sacolão” administrado pela prefeitura, que vendia produtos com baixo custo para a população, instalado embaixo de um viaduto em uma área carente. Em Guarulhos foi implantado uma praça para uso da população. Em São Paulo há um elevado que vira palco nas Viradas Culturais do Estado”, enumera Zulato.

Entre as várias propostas para viabilizar o bom uso dos espaços embaixo dos viadutos, o arquiteto urbanista ainda aponta os pontos de coleta seletiva, bacias de contenção de águas pluviais, praça de esportes, centros de encontro, divulgação de cultura e até galerias de arte.