09 de julho de 2026
Cultura

Ponte musical Bauru-Rio de Janeiro

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Cantor, compositor, instrumentista e produtor musical, o bauruense Eduardo José Toledo Jacinto da Silva, mais conhecido como Edu Toledo, está envolvido em tantos projetos com grandes nomes da música nacional e internacional que é difícil listar - e devem render outras reportagens!

Nesta, vale lembrar que ele é educador musical, faz orquestrações, treinamentos e regência em produções da TV Record, atuou como pianista em duas novelas da Globo, onde ainda desenvolve alguns trabalhos, e tem no currículo trilhas sonoras de filmes, além de ser o goleiro do time de futebol de Chico Buarque, ídolo que se tornou amigo próximo.

“Algumas vezes trabalho 16 horas por dia, mas nem vejo o tempo passar, porque mesmo quando canso estou muito feliz. Eu me sinto sempre começando!”.

E com alguma frequência, Edu abre espaço na agenda para visitar familiares e amigos em Bauru, sem perder a oportunidade de “fazer um som”. Daí surgiu a ideia de realizar um projeto reunindo músicos daqui e do Rio de Janeiro, cidade em que vive e trabalha há cerca de 10 anos.

“O eixo Rio-São Paulo é um ponto de convergência dos melhores músicos do Brasil, que estão entre os melhores do mundo. Quando volto os olhos para a minha cidade, vejo que há muitos músicos daqui que não devem nada para os de lá. São pessoas talentosas e precisamos mostrar essa riqueza”, destaca.

Conexões musicais
Para Edu Toledo, o que falta é proporcionar plataformas adequadas aos músicos daqui, ampliar a visibilidade e promover os encontros. “Por que não unir compositores de Bauru e região, do Rio de Janeiro e de São Paulo para um processo de ajuda mútua em que todos possam interagir, mostrar seu trabalho em outros palcos e gravar?”.

A ideia é que nesse coletivo todos colaborem com o trabalho de cada um, respeitando a identidade e a direção do “músico da vez”. “E estamos abertos a mais parcerias e novas conexões”.

Entre os músicos já “escalados” estão Bitenka Bitencourt, Zé Paulo Ramos, Paulo Rodrigues e Chico Ribeiro, que participou de gravações com Edu no Rio. “Fui muito bem-recebido, tanto que Danilo ofereceu o violão do seu pai, Dorival Caymmi, para eu gravar!”, lembra empolgado. “É um sonho antigo unir talentos afim de se manifestar musical e culturalmente”.

Bitenka lembra que grandes artistas foram lançados em coletivos como os Novos Baianos e o Clube da Esquina. “Bauru tem uma cena musical muito forte, mas nem sempre produzida”. Paulo concorda. “Por que não fazer valer aqui esse tipo de ação? Não com a pretensão de, mas como possibilidade de. Esse projeto pode fazer acordar músicos brilhantes que existem não só em Bauru, mas na região, que têm sua identidade e precisa juntar forças”.


Terra natal nas músicas
O pontapé inicial desse projeto será no primeiro semestre de 2016. Edu gravou um CD com o pianista porto-riquenho Edsel Gomez, três vezes ganhador do Grammy Latino, com participações do baterista Robertinho Silva (do Clube da Esquina), do compositor Hyldon (de músicas como ‘Na rua, na chuva, na fazenda’) e da esposa de Edu, a violinista bauruense Lara Salustiano.

“Esse trabalho é uma boa oportunidade de incluir mais músicos de Bauru”, garante, informando que faltam as vozes e alguns detalhes que merecem o “tempero bauruense”.

“O Rio, de certa forma, é uma cidade de especialistas: em MPB, bossa-nova, samba, etc.

Pra viver de música no Interior é preciso ter contato com muita coisa diferente. Por ser daqui e ter como professor o bauruense Amilton Godoy, um dos mais completos pianistas do mundo, tive uma formação ampla”, ressalta o músico, que cita sua cidade natal em várias canções, do Aquífero Guarani à feira do rolo. “Tenho muito orgulho de ser de Bauru!”.