08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Bullying"

Roque Roberto Pires de Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Pergunta-se: - De onde provém a necessidade de jovens subjugarem outros jovens ao ponto de uma agressão moral e/ou física?... O termo  identifica agressividade e a violência praticada nos pátios ou salas de aulas por crianças e adolescentes colocando apelidos ou fazendo piadas contra colegas, ocasionando marcas profundas nas pessoas atingidas pelas ofensas. O fenômeno, ao longo dos anos, tornou-se complexo e de um modo geral se interpenetra, se inter-relaciona com a indisciplina e/ou agressão física ou moral. Trata-se, evidentemente, de um problema social de difícil solução porque caracteriza uma enfermidade psicossocial de efeitos danosos. Hoje, infelizmente,  a violência  ganha proporções devastadoras. Governantes tentam, através de leis estancar o aumento visível dessa loucura dos tempos modernos. O fenômeno teve uma atualização importando para o vocabulário corrente a palavra “Bullying” colocando o Brasil, Inglaterra, Estados-Unidos, Portugal e outros sob o mesmo manto de sombras assustadoras. Como sabido, leis não mudam o comportamento social. Leis escritas são invariavelmente descumpridas  nos mais diversos escalões públicos e privados.

Falhando as leis humanas, restam as leis morais, as leis de causas e efeitos que somente são encontradas com solar clareza na literatura Espírita que muitos, por preconceitos, não procuram conhecer. O princípio básico para que haja supremacia do respeito social cinge-se na existência da harmonia e estabilidade emocional dentro dos lares. Pais e ou responsáveis que dignifiquem a família trabalhando e superando suas fraquezas. Pais e ou responsáveis que controlem com amor as tendências negativas dos filhos a partir do próprio exemplo de respeito a prole, não exibindo e alimentando vícios e fraquezas. Lar sem paz e harmonia acaba refletido no meio social. Jovens oriundos desses lares promovem atos vexatórios, violentos e danosos ao patrimônio público e particular pela inexistência ou  falta de imposição de respeito aos limites. Deterioram a própria personalidade.  A escola, por sua vez, torna-se vítima desse mal social. A ela cabe, em primeiro e especial lugar,  a missão de ensinar, preparar e instruir a sociedade do futuro. Não é sua tarefa disciplinar  jovens rebeldes que trazem problemas comportamentais, desequilíbrios emocionais e defeitos de educação familiar. A formação do caráter será sempre responsabilidade da família, transmitindo, em especial, os valores morais. A formação pela família e o ensino dado pelas escolas integram o projeto de evolução e progresso. Abordar “Bullying” não é tarefa fácil, como se vê. A palavra está acompanhada de escárnios, produzindo choques e gerando receios e o que é pior, instalando o medo nas pessoas vítimas dessas agressões. Infelizmente, não é só nas escolas! O “Bullying”, dissimulado ou ostensivo, é também  praticado no campo empresarial quando da aplicação de punições ou promovendo constrangimentos  e  retaliações injuriosas nos mais diversos níveis. 

Por sua vez, a televisão, sob o pretexto de fazer humor, encobre o “Bullying” quando submete pessoas ao ridículo das chanchadas. No início deste texto há uma indagação. A resposta adequada para as preocupações humanas é da lavra magistral do Espírito Joanna de Ângelis, mensagem psicografada por Divaldo Pereira Franco, constante no Livro “Rumos Libertadores” (pg.87/88 Ed.Livraria Espírita Alvorada, Salvador-BA), que se transcreve em apertada síntese: “Injúrias e violências – Embora nascida nas fontes infelizes da inveja, sem qualquer apoio da verdade, a injúria, à semelhança de ácido cruel atirado à honra, logra produzir dores e amarguras. Quando não consegue destruir quem lhe padece a invasão indébita, faz-se acompanhar da violência, armando-se de agressividade e atrevimento com que pensa vencer aqueles a quem persegue. - Antídotos eficazes: a brandura e a pacificação. A primeira silencia a injúria e a segunda emudece a agressividade”.