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| David Bowie lutava contra câncer há 18 meses |
O cantor inglês David Bowie morreu no último domingo (10), aos 69 anos, após uma longa batalha de 18 meses contra um câncer, informou a família do músico em mensagem divulgada nessa segunda-feira (11) no Twitter e no Facebook. “Muitos de vocês compartilharão esta perda. Pedimos que respeitem a privacidade da família durante o período de luto”. O filho do músico, o cineasta Duncan Jones, do primeiro casamento, confirmou a notícia. “Lamento muito dizer que é verdade. Estarei desligado por um tempo. Muito amor para todos”.
Autor de clássicos como “Starman” e “Space Oddity”, Bowie havia acabado de lançar na última sexta-feira (8), dia de seu aniversário, seu mais recente álbum, “Blackstar”. Às vésperas de lançar “Blackstar”, seu 25º álbum de estúdio, apresentou o vídeo musical do tema “Lazarus”, um inquietante clipe de quatro minutos no qual Bowie aparece com os olhos vendados, levitando na cama de um hospital.
Por anos houve rumores sobre a saúde do cantor, reservado com sua vida pessoal e que fazia poucas aparições. Bowie ficou famoso em 1972, com “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, e não só por suas letras misteriosas e eletrizantes, mas por sua imagem tão espetacular como ambígua.
Seus grandes sucessos, transformados em clássicos da música incluem também “LeT’s Dance”, “Heroes”, “Under Pressure”, “Rebel, Rebel”, “Life on Mars” e “Suffragette City”. Nascido no bairro londrino de Brixton em 1947, David Robert Jones tinha 15 anos quando montou sua primeira banda, em 1962. O músico estava casado com a modelo Iman, com quem teve uma filha, hoje com 15 anos.
Dor da perda entre famosos
Madonna, cantora - “Talentoso, único, gênio. O homem que caiu na Terra. Seu espírito vive para sempre.”
Paul McCartney, músico - “David era uma estrela e que brilhará no céu para sempre.”
David Cameron, primeiro-ministro britânico - “Eu cresci ouvindo e assistindo o gênio do pop David Bowie. Ele era um mestre da reinvenção. Uma grande perda.”
Kanye West, rapper - “David Bowie foi uma das minhas mais importantes inspirações, tão destemido, tão criativo, ele nos deu magia para toda uma vida.”
Iggy Pop, músico - “A amizade de David foi a luz da minha vida. Eu nunca conheci uma pessoa brilhante assim. Ele foi o melhor que existiu.”
Pharrell Williams, cantor - “David Bowie era um verdadeiro inovador, um verdadeiro criador. Descanse em paz.”
Brian Eno, músico que já colaborou com Bowie na série de discos “Trilogia de Berlim” - “Palavras não podem expressar. Descanse em paz, David Bowie.”
Tim Peake, astronauta britânico a partir da Estação Espacial Internacional - “Entristecido ao saber que David Bowie perdeu sua batalha contra o câncer. A sua música foi uma inspiração para muitos.”
Boris Johnson, prefeito de Londres. “Ninguém do nosso tempo merece tanto ser chamado de gênio.”
Rick Wakeman, compositor que já colaborou com Bowie - “Como podem imaginar, estou abatido por saber da morte de David. Ele foi uma influência e uma fonte de incentivo maior do que eu jamais poderia imaginar.”
Pixies, banda - “Descance em paz, David Bowie. Uma verdadeira inspiração.”
Regina Spektor, cantora - “Descanse em paz, David Bowie... Um viajante do universo, realizador de sonhos e cantor... Agradeço por você ter estado aqui e continuarei ouvindo, como sempre...”
Performance camaleônica de Bowie rendeu carreira de ator
O raio vermelho de Bowie não tinha como não resvalar no terreno do cinema - o músico contabiliza mais de 450 participações em trilhas sonoras. Sua presença camaleônica também não tardaria a acender a mente dos cineastas, despertos para o potencial do cantor como corpo para personagens excêntricos.
De vampiro a duende do mal, passando por Andy Warhol e Pôncio Pilatos, Bowie conta com mais de 30 atuações, em geral marcadas e antinaturalistas, fruto do contato que músico teve com a mímica e o teatro experimental nas mãos do do coreógrafo Lindsay Kemp, nos anos 1960. O estilo não raro gerou chiadeira dos mais afeitos a interpretações realistas.
Em 1969, enquanto Bowie levava a música a dimensões estratosféricas a reboque de seu “Ziggy Stardust”, ele viveu em seu primeiro longa um jovem militar de preocupações bem mais terrenas: “Os Soldados Virgens” aborda um grupo de recrutas que temem tanto o front quanto ter uma mulher na cama.
O primeiro papel esquisitão foi em 1976 na ficção científica “O Homem que Caiu na Terra”, de Nicolas Roeg. O filme entrou em cartaz pouco antes de sair o disco “Station to Station” - o “Thin White Duke”, a persona zumbificada vivendo à base de leite e cocaína que Bowie encarnou no álbum encontra ecos no ET do longa, que busca retornar para casa, mas se depara com a ganância dos terráqueos.
No topo
Antes do anúncio de sua morte por câncer, David Bowie deixou em primeiro lugar nas paradas musicais do Reino Unido seu novo álbum, “Blackstar”, lançado na última sexta (8).
Ícone da música pop, responsável por hits como “Ziggy Stardust”, e famoso por seu visual andrógeno, o artista morreu neste domingo (10), aos 69 anos.
“Enquanto a triste notícia sobre a morte de David Bowie surgiu nesta manhã, seu novo álbum ‘Blackstar’ está no primeiro lugar esta semana”, informou em comunicado a Official Charts, que compila as tabelas musicais oficiais britânicas. “O 25º álbum de estúdio da lendária estrela ficou na liderança com vendas combinadas de 43 mil álbuns até agora.”
A empresa não divulgou a data em que o disco alcançou a marca, mas explicou que as vendas registradas depois do anúncio da morte de Bowie só serão refletidas em números das paradas britânicas hoje.
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| David Bowie |
Visionário digital
Em 1998, a Internet apenas engatinhava (havia chegado ao Brasil de forma comercial três anos antes, por exemplo) e não existia o conceito de “rede social” como temos hoje (Orkut e Facebook surgiriam seis anos depois). Mas o artista multiplataformas David Bowie, morto no domingo (10), já experimentava a rede não só como negócio, mas também como forma de interagir com seus fãs.
Em setembro daquele ano ele lançou a BowieNet, que tinha dois propósitos principais. O primeiro: ser um provedor de internet, que concorria com gigantes como a AOL. Pagando US$ 19,95 por mês à época, os usuários tinham acesso à rede, direito a uma conta de e-mail “@davidbowie.com” e 5 Mbytes de espaço para criar a própria página personalizada na web.
Para os fãs, o mais interessante era o conteúdo relacionado a música (ouvir canções inéditas, ver fotos, vídeos), além de poder interagir com Bowie. Hoje, é claro e evidente que os artistas precisam ter presença virtual: manter contas nas redes sociais, interagir com os fãs, responder a perguntas, fazer “Face to Faces” etc. Bowie pareceu antever isso em uns bons anos.
O provedor era apenas um exemplo do vasto acervo de iniciativas do cantor para a tecnologia (ele ainda fez trilhas sonoras do game “Omikron: The Nomad Soul”. “Se eu tivesse 19 anos de novo, eu pularia a música e iria direto para a Internet.”
Histórico
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| Capa do álbum Aladdin Sane |
Durante anos houve nos círculos musicais rumores sobre a saúde do cantor, muito reservado com sua vida pessoal e que fazia poucas aparições públicas.
Seu último show ao vivo foi uma atuação com fins beneficentes em Nova York em 2006.
Bowie ficou famoso em 1972, com "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", e não só por suas letras misteriosas e eletrizantes, mas por sua imagem tão espetacular como ambígua.
Seus grandes sucessos, transformados em clássicos da música e referências de culto, incluem também "LeT's Dance", "Heroes", "Under Pressure", "Rebel, Rebel", "Life on Mars" e "Suffragette City".
O Museu Victoria & Albert de Londres dedicou em 2013 a Bowie, que durante sua carreira também foi ator, uma exposição que foi uma das mais bem-sucedidas de sua história.
Um ano depois, em novembro de 2014, Bowie comemorou meio século de carreira com "Nothing Has Changed", uma ambiciosa antologia que refletia a diversidade de rostos que cultivou em sua vida.
A publicação foi complementada com a estreia no Reino Unido do filme "David Bowie Is", um documentário em torno da exposição sobre o artista no Victoria & Albert.
'Jones'
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| Bowie durante a adolescência |
Nascido no bairro londrino de Brixton em 1947, David Robert Jones tinha 15 anos quando montou sua primeira banda, em 1962, mas nenhuma da cinco ou seis das quais participou deu em algo. Logo adotou o Bowie devido à semelhança com o músico Davy Jones, do Monkees.
O sobrenome veio de uma fabricante de facas, e ele aproveitou para espalhar a lenda de que havia sido ferido na vista por uma faca dessa marca, daí o fato de ter a íris do olho direito bem mais dilatada que o normal. Outra história vem do fato de que a faca Bowie tem gumes dos dois lados, no que seria uma alusão ao bissexualismo do artista. O músico foi casado duas vezes e teve dois filhos.
Cinema
Ele não foi só um grande músico, cantor e compositor. A revista Rolling Stone considera o álbum dele The Rise and Fall of Ziggy Stardust um dos maiores da história. E Ziggy, entre todas as personas que Bowie criou, foi, talvez, a principal inspiração para Velvet Goldmine, o Cidadão Kane do glam rock, de Todd Haynes.
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| Cena de O Homem que Caiu na Terra |
De todos os astros do rock, Bowie foi o único, pode-se dizer, a levar uma carreira que não era apenas 'complementar' no cinema. Mick Jagger, dos Rolling Stones, filmou com Tony Richardson (Ned Kelly) e Jean-Luc Godard (One plus One), mas Bowie ousou ainda mais. Ele deixou sua marca na música, na moda, no comportamento - e no cinema. Alguns hão de se lembrar dele em Labirinto, fantasia de Jim Henson.
Outros de Apenas Um Gigolô, do ator David Hemmings, em que contracenou com a lendária Marlene Dietrich, em sua última aparição na tela. Mas os filmes que esculpiram a lenda de David Bowie no cinema foram outros. Foram os que esculpiram ou subverteram sua famosa androginia.
O Homem Que Caiu na Terra, de Nicolas Roeg, é uma ficção científica quase tão visceral quanto 2001, o clássico de Stanley Kubrick. Um homem viaja do futuro em busca de água. Adquire o poder e forma uma nova família, mas não se esquece da outra, que deixou no espaço. Furyo, Em Nome da Honra é produto da associação de dois provocadores, Bowie e o diretor japonês Nagisa Oshima. Depois do sexo explícito dos dois Impérios, o dos Sentidos e o da Paixão, Oshima contou a história do inglês que desperta o desejo proibido do comandante japonês do campo em que está prisioneiro. Dois mitos da música - Bowie e Ryuchi Sakamoto. O filme tem a cena em que Bowie canta - e desafina. Que outro cantor faria isso para servir ao personagem?
E, claro, Fome de Viver, do irmão de Ridley Scott, Tony. O verdadeiro True Bloood. Uma história contemporânea de vampiros - ou uma história de vampiros contemporâneos. Em Nova York, podres de chic, Bowie e Catherine Deneuve precisam do sangue jovem de Susan Sarandon para sobreviver. Sexo a dois, a três. Sangue e suor. Ambientes luxuosos, magnificamente filmados, mais que em qualquer comercial.