09 de julho de 2026
Geral

Novos exames apontam infecção por zika em bebês com microcefalia

Natália Cancian
| Tempo de leitura: 2 min

Novos exames feitos em dois bebês com microcefalia que morreram após o parto e em dois fetos cujas mães tiveram aborto espontâneo no Rio Grande do Norte tiveram resultado positivo para o vírus zika.

Os resultados ocorrem após testes feitos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, um dos órgãos que acompanham as investigações sobre os casos, a partir de amostras encaminhadas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Segundo o infectologista Kleber Luz, que enviou as amostras, os resultados reforçam a possibilidade de ligação entre os casos de microcefalia e o vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Esta também é a primeira análise divulgada sobre o vírus em fetos cujas mães sofreram abortos espontâneos nos primeiros meses da gestação.

A análise ocorreu por meio de testes RT-PCR e de imunohistoquímica, que verificam o material genético do vírus e servem para diagnóstico de doenças infecciosas. “São testes que detectam fragmentos do vírus no tecido”, diz Luz. “Isso mostra que não só tiveram infecção como o vírus está onde tiveram a lesão.”

Entre os casos, dois são de bebês diagnosticados com microcefalia e que morreram horas após o parto, e que tiveram amostras coletadas de tecidos do cérebro. Os outros dois são de fetos que estavam próximos da 12.ª e 16.ª semana de gestação, cujas mães sofreram abortos espontâneos.

De acordo com Luz, o alerta ocorreu após as mães informarem terem tido manchas vermelhas durante a gravidez, um dos sintomas da infecção por zika. Os casos também tiveram resultados negativos em testes para outras infecções, como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes, HIV, sífilis e dengue.

A discussão sobre a relação entre os casos de microcefalia e o vírus zika vêm sido alvo de dúvidas no País. Em São Paulo, pesquisadores que fazem parte de uma força-tarefa liderada pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP avaliam a possibilidade de outros fatores, além da ação isolada do micro-organismo, estarem relacionados ao aumento de casos de microcefalia.

Um dos principais impasses é a falta de testes que possam detectar rapidamente o vírus.