08 de julho de 2026
Geral

Bauruenses pegam água em escolas

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr
“Vim com o carrinho de feira para encher mesmo. Não tinha nem para o café cedo. São cinco pessoas na minha família. Temos crianças e, hoje a impressão que dá é que vivemos num chiqueiro”. Edneia Lopes, doméstica, 30 anos

O arsenal era composto de galões, tinas, bacias, baldes de todos os tipos e tamanhos e muita garrafa vazia. E quem foi bem cedinho se beneficiou. Não havia fila e sol até apareceu para ajudar depois de sete dias ininterruptos de chuva. A decisão da Prefeitura de Bauru de liberar a distribuição de água armazenada, em 13 das escolas municipais começou a ser cumprida na manhã desse sábado (16).

A ideia foi posta em prática para ajudar os moradores dos bairros atingidos pelo desabastecimento de água que atinge pelo menos  40% da população bauruense. A maioria dos atingidos já esgotou as caixas de água domésticas e não tinha o líquido nem para beber, há pelo menos três dias.

O JC esteve em duas das escolas liberadas e constatou. Tanto na Emef “Claudete da Silva Vecchi”, no Parque Viaduto, quanto na Emei “Francisco Gabriele Neto”, na Vila Independência, os moradores comemoravam a decisão e tratavam de levar para casa o que podiam do jeito que dava. Mas o clima também era de revolta.  

Desde terça

O problema foi causado pela inundação da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Departamento de Água e Esgoto (DAE), após a cheia do Rio Batalha, registrada durante as chuvas ocorridas nesta semana.

A chuvarada começou a atingir Bauru e região no sábado (9), mas o ápice aconteceu na noite de terça-feira (12), quando o volume de precipitação foi o maior nos últimos 18 anos, segundo o IPMet/Unesp-Bauru. Nessa noite as bombas da ETA ficaram submersas na inundação e cheias de barro. Até esse sábado (16) não havia captação de água no Rio Batalha para abastecer grande parte da cidade.

Escolas reabastecidas?

A primeira e maior preocupação dos moradores era levar o suficiente para casa para realizar as tarefas básicas, como tomar banho, lavar louças. Em segundo lugar havia o interesse  em saber se a ação irá continuar. O que os funcionários da Prefeitura designados para abrir a escola e vistoriar o processo não sabiam informar na hora. Isso porque a orientação era de que as portas ficassem abertas para a distribuição até o esgotamento dos reservatórios liberados.

Mas nesse sábado à tarde o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) tentou tranquilizar e disse que os locais vão ser sim, reabastecidos. Ele pediu para os moradores ficarem atentos às escolas que, na medida do possível, serão reabastecidas. “É que até mesmo a operação de encher os caminhões-pipas para levar aos bairros mais atingidos e depois aos reservatórios é uma operação demorada. Não se faz isso de uma hora para outra. Não é tão simples assim, mas a determinação é para que os reservatórios sejam, sim, reabastecidos”.