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| Estudo aponta que represa de 17.575m2 rompeu em área da Duratex |
O Ministério Público (MP) em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) apura se a enchente histórica que atingiu a cidade na semana passada foi provocada ou agravada pelo rompimento de represas localizadas em propriedades rurais. Uma delas, em área da Duratex, tinha cerca de 17.575 metros quadrados. Além disso, a Promotoria irá cobrar monitoramento de pelo menos outras duas barragens da empresa que, segundo laudo assinado pela Defesa Civil, também correm o risco de romper.
A água que transbordou do Ribeirão Pederneiras e Córrego Monjolo entre a noite de terça-feira (12) e a madrugada de quarta-feira (13) alagou cerca de 150 imóveis e deixou aproximadamente 400 desabrigados. Os prejuízos foram estimados em mais de R$ 11 milhões. Janilson Jovan Duarte, de 40 anos, teve o carro arrastado para dentro do ribeirão e morreu afogado.
A engenheira civil Ana Elisa Moura Talon, secretária de Desenvolvimento Urbano de Pederneiras, conta que, na quinta-feira (14) e no sábado (16), equipes da Defesa Civil, Polícia Civil e de pedreira do município sobrevoaram a Bacia Hidrográfica do Ribeirão Pederneiras para detectar se existem represas na iminência de romper e, com isso, prevenir nova enchente.
“Nessa vistoria, a gente constatou uma já rompida, com indícios de que o rompimento tinha sido recente”, revela. Os técnicos também verificaram que pelo menos outras duas correm o risco de estourar. Todas elas ficam em uma área da Duratex. “Nesse primeiro momento, nossa intenção é entrar em contato com a empresa e pedir um monitoramento das outras”, afirma.
Laudo técnico sobre a situação das represas foi entregue nessa segunda-feira (18) ao MP e servirá de base a inquérito civil. “De imediato, a gente não tem como afirmar a contribuição do rompimento dessa represa na área central”, diz Talon. “A gente precisa do Ministério Público, com ajuda de especialistas, para tentar mensurar o que cada uma representou nesse acréscimo de vazão”.
Monitoramento
A promotora de Justiça de Pederneiras, Roseny Zanetta Barbosa, explica que, além de apurar eventuais responsabilidades pela enchente da semana passada, o inquérito visa à prevenção de novos incidentes. “No momento, minha preocupação maior é com relação a um novo acontecimento e se há, realmente, esse risco de romper novamente (barragem)”, conta.
“A gente está fazendo todo o possível para resolver isso da forma mais rápida porque é uma época de chuva e corre o risco de vir uma chuva forte novamente”.
Monitora
Em nota, a assessoria de comunicação da Duratex informou que a empresa vistoriou os açudes da Fazenda Monte Alegre e constatou que o volume de água no local não foi suficiente para ultrapassar a zona rural no entorno da fazenda. “Ressaltamos, ainda, que a bacia do Ribeirão Pederneiras é composta por diversos afluentes distribuídos pela região”, declara. “A empresa permanece monitorando constantemente o local e, até o momento, não recebeu nenhuma notificação ou laudo sobre o assunto”.
Pedreira do bairro Itatinguy ‘salvou’ município de catástrofe
| Fotos: Divulgação |
| Parte da água do Ribeirão Pederneiras foi desviada para pedreira antes de atingir o Centro, evitando tragédia maior |
| Técnicos da Defesa Civil vistoriam represa com risco de romper |
Uma pedreira localizada no bairro rural de Itatinguy foi fundamental para evitar uma tragédia. A reportagem apurou que o local, que tem cerca de 150 metros de largura por 300 metros de comprimento e profundidade que varia entre 25 e 40 metros, ajudou a represar parte da água que seguiria para o Ribeirão Pederneiras, no volume aproximado de 1,5 milhão de metros cúbicos.
A informação foi confirmada pela engenheira Ana Elisa Moura Talon, secretária de Desenvolvimento Urbano de Pederneiras. “O ponto de encontro de todas as represas é uma pedreira e ela reteve bastante dessa água. A água está acumulada lá ainda. Ela serviu como uma bacia de retenção dessa água”, explica.
Conforme apurado pelo JC, o grande volume de água destruiu estrada municipal às margens da pedreira, no ponto onde é feita a extração de basalto. Com isso, o curso do rio que passa ao lado foi desviado e a água ficou represada na zona de extração das pedras. As atividades no local estão paralisadas e houve perda de máquinas. O escoamento total da água pode levar até um ano.
Prefeitura cobra mais fiscalização
Na opinião da secretária de Desenvolvimento Urbano de Pederneiras, Ana Elisa Moura Talon, a prevenção às enchentes passa por uma fiscalização mais rigorosa das represas, sobretudo nas pequenas propriedades. “No caso da Duratex, eles têm plano de manejo, têm toda a certificação. E, se aconteceu isso, imagine com outras represas na região que, às vezes, o município acaba não tendo total controle”, declara.
Ela lembra que foi constatado o rompimento de represas menores no bairro rural de Itatinguy e região da Floresta Estadual. “É bom frisar que, neste primeiro momento, como nossa maior preocupação, como Defesa Civil, é identificar algumas represas que ainda representam risco para o município, por isso que a gente fez primeiro vistoria nessa área da Duratex, que tem algumas maiores, com volume maior”, explica.