11 de julho de 2026
Cultura

Cartola cantará a própria história; 40 anos de felicidade

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Aceituno Jr.
Aquecendo tamborins: Tropa de Elite, bateria da Cartola, dos mestres Denis e Cocão, em ensaio; abaixo, alegorias já prontas

Tudo começou com o bloco “Nega Maluca”, em 1976. Hoje, 40 Carnavais depois, a Escola de Samba Acadêmicos do Cartola tem muitos motivos para comemorar e traz para o desfile no Sambódromo de Bauru, no dia 6 de fevereiro, uma boa parte dessa trajetória.

O que dá para antecipar é que a comissão de frente vem de “Nega Maluca” e serão muitas homenagens, com destaque para os 12 títulos de campeã do Carnaval, representados em cada ala.

Há quem siga firme com a escola desde o começo, mas é impossível escolher um personagem que a represente. “Não dá para falar de uma pessoa que tenha se sobressaído, porque a escola é feita da comunidade, da união de muita gente. O forte é a sua comunidade, além da grande interação com o público”, justifica Paulo César Madureira, fundador e presidente da Cartola.

Questionado sobre o que foi mais marcante nessa história, foi categórico: a luta, a garra e a determinação. “É uma escola que sempre lutou pelo Carnaval, voltada para a felicidade, a cultura popular e as pessoas mais humildes da sociedade”.

Paixão popular

Vencedora do Carnaval 2015, a Cartola deu início aos trabalhos para o desfile deste ano em maio e tem ensaiado todos os dias em sua sede, no Parque Vista Alegre, com exceção do domingo, reservado para outros preparativos. “Carnavalesco só descansa depois que morre!”, garante Paulo Madureira.

No dia 16, a escola elegeu sua rainha, Jéssica Dias, em uma festa que levou cerca de 2 mil pessoas ao barracão, surpreendendo até mesmo a diretoria. “Estamos em uma situação difícil no país e mesmo assim as pessoas têm alegria e determinação de fazer o Carnaval. A população precisa de muitas coisas, mas também se divertir e viver em comunidade”, acrescenta o presidente da Cartola. “O Carnaval continua forte”. E a motivação da escola é não deixar esse patrimônio se perder. “É a maior tradição cultural do Brasil. As coisas boas daqui os outros compram e levam embora, menos o Carnaval; ninguém tem a ginga e a alegria do brasileiro”.

O carnavalesco José Horácio Gonçalves, reconhece que o quadro financeiro atual é um desafio. Entretanto, a criatividade ajuda a superar. “Nosso projeto é fazer um Carnaval bonito, organizado. Reaproveitamos algumas estruturas, mas vamos manter o nível com fantasias criativas e lutar por mais um título”.

Samba-enredo


Autores: André Odria e Michel Mammoccio


Eu sou Cartola, meu canto vai ecoar

Hoje tem festa... Vamos comemorar

De azul e branco, minha Águia querida

40 anos de avenida

De uma “Nega Maluca” surgiu

Uma energia sem igual

Tantas lutas, batalhas e bênção dos céus

Conquistou seu lugar no Carnaval

Do carioca da gema, a irreverência

A malandragem discreta

Se recordar é viver.... Ô abre alas!!!

Minha paixão é você

100 anos de história, minha morada meu chão

Berço acolhedor de inspirações

Por onde andará? Sei que vou encontrar

No meu samba... essa tal felicidade

No céu e no mar... No infinito fui buscar

E na Portela encontrei identidade

Das trevas a luz

A mão divina nos conduz, abençoando nossa existência

Fantástica miscigenação... Verde e amarelo são as cores da nação

A vida celebrar

Exaltando a cultura popular

Joãozinho Trinta o grande mestre a nos ensinar

Ô... Terra abençoada

De ilustres personagens imortais

As belas notas musicais em harmonia

Pintando o 7, vou nessa folia.