| Rodrigo Agostinho/Divulgação |
| Foto do sobrevoo do prefeito mostra lagoa assoreada: manancial abastece cerca de 140 mil |
Com o problema das bombas de sucção resolvido, agora, a atenção acerca do abastecimento de água pelo Rio Batalha deve ser voltada às condições do manancial e da lagoa de captação, que fornece o produto para cerca de 140 mil pessoas em Bauru. A represa enfrenta alto grau de assoreamento, de acordo com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que sobrevoou parte da bacia hidrográfica na manhã dessa terça-feira (19) com o Águia da Polícia Militar.
Segundo o chefe do Executivo, o volume de terra levado pela enxurrada provocada pela chuva na terça-feira da semana passada culminou na drástica redução da profundidade da lagoa, o que, por enquanto, só não representa maior gravidade em função do aumento da área alagada. Nos próximos dias, uma equipe do DAE percorrerá o local com um bote para medir a altura do nível da água em relação ao solo.
Agostinho admite, no entanto, a necessidade urgente de trabalhos de desassoreamento da represa, que, segundo ele, só pode ser executado com o auxílio de dragas, pois intervenções mais invasivas poderiam piorar a qualidade da água.
O problema é que os dois equipamentos da autarquia foram danificados pela enxurrada da semana passada. “A lama entrou dentro do motor”, conta o Rodrigo.
Dessa forma, os serviços só devem começar dentro de 10 a 15 dias e, ainda assim, serão insuficientes para dar solução ao problema pontual. Por esse motivo, a administração deve solicitação a disponibilização de uma terceira draga pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), ligado ao governo do Estado.
PRECÁRIO
Questionado pela reportagem, Rodrigo Agostinho admite que, há muitos anos, o município não trabalhava para desassorear a lagoa de captação do Batalha. Isso porque as dragas utilizadas tinham acabado de ser recuperadas por funcionários do DAE antes da nova destruição.
O prefeito revela ainda o nível de precariedade dos equipamentos que deveriam dar assistência ao manancial que abastece 38% da cidade. “As nossas dragas foram montadas por servidores com sucata e motores antigos. Dependem de muita manutenção”.
QUALIDADE
Agostinho afirma também que caiu a qualidade da água que está, lentamente, voltando a chegar às torneiras de parte da população bauruense. “Além da areia, a enxurrada levou [para a lagoa de captação] muito material orgânico, como fezes de animais, e agrotóxicos utilizados em propriedades rurais”.
A situação também culminará no encarecimento do processo de tratamento da água. “Com toda essa terra, a todo momento, será necessário desentupir os filtros”, explica o chefe do Executivo.
Terra arrasada
Acompanhado do presidente do DAE, Giasone Cândia, e da equipe do Águia, coordenada pelo major Hilário de Oliveira Leão, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) constatou que os estragos na bacia do Batalha são maiores do que se imaginava.
Da nascente do rio, em Agudos, até a ponte do Cedro, a equipe constatou grandes erosões, que precisam ser recuperadas para que a situação do manancial não se agrave ainda mais em eventuais novos episódios de chuva. Um dos fatores mais preocupantes, no entanto, está na Serra da Jacutinga, onde nascem, além do Batalha, os rios Turvo, Ribeirão Grande e Lençóis. “São muitos pontos de deslizamento de terra, algo que eu nunca vi em enchentes anteriores”, diz Rodrigo.
A equipe estimou ainda que mais de 400 hectares de vegetação tenham sido devastados. A área equivale a quase 400 campos de futebol. Em artigo publicado nessa terça (19) no JC, o diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires, traça preocupante panorama acerca das consequências ambientais do desastre, que só devem ser sentidos futuramente.
Prefeitura de Bauru não tem toda a estrutura para sanear dano na bacia
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) admite que o município não dispõe da estrutura necessária para resolver todos os problemas constatados nessa terça-feira (19) na bacia do Rio Batalha. Anteriormente, projetos de recuperação da mata ciliar já foram aprovados pela Agência Nacional de Águas e pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), que, juntos, destinarão R$ 1,3 milhão para intervenções na região.
O chefe do Executivo afirma, no entanto, que além do plantio de mudas, serão necessárias obras de contenção de erosão e, para viabilizá-las, pedirá mais ajuda aos governos federal e estadual, valendo-se inclusive da situação de emergência decretada na última segunda-feira (18). “Sei que a maior parte da despesa ficará para Bauru”.
Agora, as secretarias municipais de Agricultura e Meio Ambiente trabalharão em conjunto para elaborar diagnósticos mais precisos e, posteriormente, projetos técnicos de intervenção nas áreas afetadas. Rodrigo quer ainda levar para a bacia do Batalha as ações de compensação ambiental ocasionadas pela obra de construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Distrito Industrial 1.