| Fotos: Aceituno Jr. |
| Bateria da Coroa Imperial da Grande Cidade dos mestres Mi e Gabriel; na parte de cima da página, adereços cheios de cores |
O “sonho latino-americano”, os povos pré-colombianos e os que aqui chegaram, a cultura e as crenças, as belezas naturais, a história e o futebol estão no enredo “América: mestiça, mãe terra”, que a Coroa Imperial da Grande Cidade traz para o desfile no dia 8 de fevereiro em Bauru.
A motivação é o desejo por uma América Latina mais unida. “O Brasil se volta para o Atlântico, para a Europa, e esquece que tem todo um continente de povos irmãos na cultura, nos negócios, no mercado de trabalho...”, justifica o carnavalesco Claudio Goya.
“Vamos ressaltar aqueles que participaram da construção da América Latina: os indígenas, os negros e os brancos”.
Com a comunidade
Goya é professor doutor do curso de design da Unesp de Bauru e há três anos está envolvido com a escola de samba sediada no Núcleo Presidente Geisel. Lá ele desenvolve com universitários o Projeto Laboratório de Design Solidário. “Hoje são 17 alunos que atuam no desenvolvimento da escola com a comunidade. A gente não chega com o pacote pronto, trabalhamos juntos”.
E como trabalham! Tudo, das fantasias aos detalhes das alegorias, é produzido por essa equipe de forma artesanal. “Aqui não se comercializa nada e 90% do trabalho é voluntário, as fantasias são feitas pela comunidade com amor e doadas. Trabalhamos para gerar alegria e identidade, preservar a cultura na cidade”.
O professor e carnavalesco destaca ainda que há uma função social na escola de samba. “A bateria da Coroa Imperial é bem jovem e está revelando bons instrumentistas”.
O bairro se movimenta e o esforço é recompensado. “Uma senhora me disse: ‘que bonito, vocês trabalham pela alegria dos outros!’. Para mim, o legal é quando a gente vai entrar na avenida e vê a emoção e a felicidade das pessoas”.
‘Família de Carnaval’
Embora o tema tenha sido pensado logo após o desfile do ano passado e os trabalhos tenham começado em junho, a verba chega em cima da hora e colocar a escola no Sambódromo é um desafio. Nos dois meses que antecedem o Carnaval todos unem esforços e passam o dia no barracão.
“É corrido, sempre tem um detalhe para acertar, mas além de família do Carnaval, somos vizinhos e amigos, tudo a gente faz festa e está junto”, conta Juliana Diniz. Ela secretaria o presidente da Coroa, Avelino de Souza, seu padrinho do casamento com Arthur Munhoz Roque, diretor geral da escola.
“A expectativa é grande, a gente não vê a hora de mostrar nosso trabalho. Vai estar bonito!”, garante Arthur.
| Samba-enredo
Autores: Léo do Rasi e Guto do Banjo
Sou latino-americano... Ô, ô, ô, ô E “loco” por ti América... Meu amor Eu moro num país tropical Onde brotou minha Coroa Imperial
Terra abençoada pelos deuses Emancipada, como Bolívar sonhou Fronteiras apagadas... Correntes quebradas E a liberdade raiou
Juntou pedaços... Uniu os laços Nossos traços se latinizou
O sol com teu calor E a lua majestosa Vêm temperar essa mistura tão gostosa E iluminar minha Coroa Verde e Rosa
Negros, brancos, índios... Linda miscigenação Rica mistura... Costumes e culturas Do portunhol... Do chimarrão Do samba no pé... Futebol, o olé Nossa crença e fé... Nossos rituais Essa brava gente de sangue “caliente” Pede simplesmente união e paz E assim, na lavagem do Bonfim Baianas entoam numa só voz Ô, ô, ô, ô, meu Senhor, olhai por nós!
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