09 de julho de 2026
Articulistas

Momento delicado

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Se não bastasse a necessidade interna de ajustes para que a economia brasileira volte aos trilhos do crescimento, o ambiente externo vem tirando o sono dos agentes econômicos. Vamos aos fatos: internamente, inflação ainda sem controle e o governo continua utilizando da política monetária para trazê-la no mínimo dentro do limite máximo da meta de 6,5% ao ano, engessando mais ainda a já engessada economia.


Tivemos a troca do ministro da Fazenda e nada de novo na condução da política econômica brasileira foi apresentado. Há muitas incertezas quanto à condução do necessário ajuste fiscal e a desconfiança dos agentes econômicos ainda é grande. Até mesmo a esperada “calmaria” política em função do recesso parlamentar não vem ocorrendo, à medida em que a Operação Lava Jato está em pleno vapor.


No ambiente externo, a China continua demonstrando sinais de enfraquecimento econômico. O crescimento do ano passado veio abaixo do estimado pelo mercado e depois de anos com desempenho acima de 10% ao ano tudo indica que os níveis serão muito mais baixos, atingindo em cheio países emergentes, como é o Brasil.


Para potencializar os problemas internos, temos o comportamento do preço internacional do petróleo. Com o fim de sanções ao Irã, a oferta desta commoditie é ampliada, e com ela queda nos preços internacionais. Isso sem falar da necessidade que outros países produtores de petróleo têm em desovar seus estoques, como é o caso do Iraque, ampliando ainda mais a oferta do produto no mercado. Diante deste cenário, os indicadores de curto prazo ficam à deriva. A Bolsa de Valores oscila, com perdas expressivas. O câmbio fica nervoso e a cotação da moeda norte americana não se estabiliza.


O desemprego ainda não atingiu seu ápice. A carestia é realidade e está mais que evidenciado que os brasileiros mais pobres já pagam um preço elevado diante deste comportamento nada animador. Mesmo não querendo nos deixar contaminar pelo pessimismo, há momentos em que constatamos que nossa impotência diante deste ambiente conturbado é muito maior do que nossa capacidade de superação.


Não podemos esmorecer, mas seria de bom tamanho que o governo ao menos sinalizasse com uma luz no fim do túnel. Do jeito que estão às coisas temos dúvidas até se há túnel à frente. Sem dúvida alguma vivemos um momento delicado e será preciso muita determinação para não nos deixar abalar desta vez. Esta, infelizmente, é a realidade dura e crua.


O autor é economista, articulista do JC