| Douglas Reis |
| Para Jorge Hotta, o preço do tomate precisa cair ainda mais |
Ainda sentindo o impacto direto da onda de altas de preços de legumes, verduras e frutas, resultante da chuvada registrada nas últimas semanas, o consumidor tem, enfim, um motivo para ver a “luz no fim da caixa”: o tomate, cuja caixa de 24 quilos já chegou a custar em torno de R$ 160,00 na Central de Abastecimento de Bauru (Ceasa), já é encontrada a R$ 80,00 desde quinta-feira, o que representa uma redução de 50%.
A batata miúda também teve queda de preço: um saco com 50 quilos era vendido por R$ 220,00 no começo do ano e, também desde anteontem, pode ser adquirida por R$ 160,00 na Ceasa - atacadista que compra direto do produtor rural e abastece parte do comércio varejista da cidade e região, num raio de 120 quilômetros de Bauru. Por outro lado, o alface e a vagem, itens básicos que compõem a mesa da população, tiveram alta (leia mais abaixo).
Alguns dias de trégua das fortes chuvas já foram suficientes para a queda no valor do tomate, conforme explica o técnico operacional da Ceasa, Augusto Remoli Filho. “O excesso de umidade faz apodrecer a rama (que segura a fruta) do tomate. Isso significa que a produção cai e, consequentemente, os preços se elevam. Com esses dias de tempo firme, já deu uma normalizada na produtividade do tomate e, por isso, a queda no preço”.
Remoli enumera que, na primeira semana de 2016, a cotação do tomate era de R$ 100,00 a caixa com 24 quilos, reflexo ainda das chuvas de dezembro do ano passado. Não há, entretanto, perspectiva de nova redução nos próximos dias.
“O valor do tomate oscila bastante. Pode até diminuir mais um pouco, mas não a curto prazo”, estima.
‘Precisa cair mais’
Para o comerciante Jorge Hotta, 53 anos, o preço do tomate ainda deixa a desejar. “Caiu pouco. Já esteve bem mais em conta, mas é porque o valor oscila bastante. Agora, caiu pela metade, mas chega na segunda-feira falta mercadoria e o preço volta para o mesmo patamar de antes. É a lei da oferta e da procura”, destacou Hotta, enquanto comprava três caixas da fruta ontem na Ceasa, pois fornece hortifrútis a restaurantes e indústrias alimentícias da cidade.
Vale lembrar que o tomate foi o vilão da inflação em 2013 e protagonista de memes memoráveis nas redes sociais.
Isso aconteceu no primeiro semestre daquele ano, quando o preço da fruta acumulou, em apenas quatro meses, alta de 72,79%. Os produtores atribuíram o aumento à falta de chuvas ou ao excesso delas: se a produção cai e a demanda continua igual, os preços sobem.
Dá-lhe batatinha
O valor da batatinha também caiu. De acordo com Remoli, no dia 4 deste mês, o saco com 50 quilos estava sendo comercializado a R$ 220,00, mas teve queda uma semana depois.
“Baixou para R$ 160,00. Nesses últimos dias de chuvada foi para R$ 200,00 e só agora reduziu a R$ 160,00 de novo. Quando chove muito, fica difícil tirar a batata do solo e a produção acaba diminuindo”, explica.
Consumidor final já sente a queda no preço do quilo do tomate nas feiras e nos supermercados
O consumidor final já consegue comprar tomate e batatinha com preços menores em Bauru, tanto em feiras quanto em supermercados. Na Feira Livre do Jardim Redentor, a feirante Marta Bevilacqua, 46 anos, já comercializa o quilo do tomate a R$ 6,00 em sua barraca. “Estava custando R$ 7,50, mas chegou a R$ 9,00 na semana retrasada. Baixei o preço ontem (anteontem)”, conta, dizendo que a batata também teve redução: de R$ 4,00 para R$ 3,50.
Independente do valor dos produtos permanecer mais barato ou subir nos próximos dias, há quem esteja aproveitando a oportunidade. Este é o caso da aposentada Sueli Leandra de Andrade Melo, 53 anos, que já tinha garantido o tomate para o almoço, comprado na barraquinha de Marta. “Foi uma surpresa. Vou aproveitar para levar um quilo logo de uma vez”, contou a mulher.
Uma rede de supermercados consultada pela reportagem também já comercializa o tomate mais barato. Se antes o consumidor pagava de R$ 6,00 a R$ 7,00, agora já encontra a menos de R$ 4,00. “Amadureceu de uma vez após cessarem as chuvas e recebemos uma avalanche do produto. O cliente comprava até três unidades por causa do valor, mas agora está levando de um a dois quilos”, destaca Alexandre Fátimo, gestor de compras da empresa.
Tiveram alta
Enquanto o tomate e a batata vêm sendo comercializados a um preço reduzido em comparação às semanas anteriores, pelo menos dois itens pesquisados pela reportagem na Ceasa tiveram alta: o alface e a vagem. O primeiro, segundo Augusto Remoli Filho, começou o ano sendo vendido a R$ 18,00 a dúzia de maço. No entanto, subiu para R$ 24,00 e, ontem, já custava R$ 28,00.
“Não se consegue produzir por causa da chuva. O ciclo de produção do alface é diferente se compararmos com o tomate, por isso ainda não teve redução de preço”, explica Remoli. Pelo mesmo motivo, a vagem também teve elevação no custo, na ordem de 50%: de R$ 100,00, nos primeiros dias de 2016, passou a custar R$ 150,00 desde o dia 11, antes mesmo da tempestade que atingiu a região.
Sem chuvas
Se depender do tempo, o preço do tomate deve se estabilizar ou até mesmo ter nova queda. Isso porque, segundo o meteorologista do Centro de Meteorologia (IPMet) da Unesp Fernando de Almeida Tavares, não há previsão de chuvas fortes para os próximos dias.
Hoje, por exemplo, o dia será de sol. “A partir de domingo e durante toda a semana, deve ocorrer apenas chuvas isoladas ao longo do dia”, disse. A temperatura máxima neste sábado deve ficar na casa dos 33 graus, enquanto a mínima pode chegar a 18 graus.