Viúva há dois anos e trabalhando com venda de recicláveis e panos de prato para auxiliar nos rendimentos da aposentadoria, Joana Caetano, 80 anos, foi atropelada na manhã da última sexta-feira (22), na quadra 5 da rua Alagoas, Vila Coralina, e está na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base (HB). O motorista causador do acidente fugiu do local.
Por volta das 9h30, a vítima saiu de casa para trocar latinhas que conseguiu juntar por um pouco de dinheiro. Ao tentar atravessar a rua, o condutor de um FIAT/Uno - um rapaz de 25 anos - a atingiu, fugiu e seguiu para o trabalho.
Testemunhas anotaram a placa e horas depois equipe da Polícia Militar (PM) localizou o acusado em seu local de trabalho. Ao ser questionado sobre o acidente, confirmou o ocorrido e disse ter entrado estado de choque e “ficado com receio de ser agredido por populares”. O nome do condutor não foi informado.
Diferente do que foi informado pela assistência social do Pronto-Socorro Central (PSC) em boletim de ocorrência (BO) - que seria liberada ainda no mesmo dia, Joana Caetano deu entrada na UTI do HB e realizou diversos exames.
A vítima pode ter fraturado sua bacia e deve sofrer procedimento cirúrgico. Uma hemorragia interna teria sido constatada.
Não se conforma
Cleide Aparecida Caetano Ribeiro, filha da vítima, não se conforma com o ocorrido. “Mesmo com 80 anos minha mãe trabalha para complementar sua aposentadoria, é uma mulher independente e agora está em uma cama cheia de dores após ser atropelada e largada na rua como um lixo”.
A intenção da filha da vítima é acionar a Justiça contra o responsável pelo acidente. “Isso não pode ficar assim. A pessoa precisar arcar com as consequências. Já pensou se não tivessem anotado a placa do carro e a polícia localizado o rapaz? Minha mãe aqui em um leito, sofrendo com dores inimagináveis e ele seguindo com a vida normalmente? E se tivesse ocorrido o pior?”, desabafa.
Vizinhos pedem lombada
Segundo relato de Cleide Aparecida, moradores estariam mobilizados para cobrar uma lombada nas proximidades.
"É uma rua bastante tranquila, com pouco movimento, e por isso muitos motoristas abusam da velocidade e os vizinhos temem pela segurança".
Para ela, um dispositivo como esse poderia ter evitado o acidente. "Não sei se ele estava correndo ou distraído, mas se tivesse uma lombada por perto talvez ele tivesse conseguido evitar todo este transtorno e as dores sentidas pela minha mãe".