08 de julho de 2026
Geral

Você sabe apreciar a cerveja?

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Marcelo Maliverne, George Salles, Tatiane Losnak, 

Rodrigo Moraes, Antonio Tonon, Fred Ventrice e Ricardo Domiciano

Antes que o distinto leitor ou leitora responda à pergunta do título desta reportagem é preciso saber que há uma diferença gritante entre beber e apreciar cerveja. Para os apreciadores, o que existe de bom na face da terra é o mundo das cervejas especiais. E por especiais não se confunda aquelas que têm o “especial” escrito no rótulo e, sim, as que são produzidas de forma mais artesanal.

Por especial, entenda-se entrar em um mundo de cervejas cultuadas e de sabores

Únicos, onde existem mais de 200 estilos diferentes da milenar bebida. E é aí por onde trafegam pessoas de paladar refinado. Aqueles que não são bebedores, mas sim degustadores de cerveja.

Degustar x beber
Os chamados degustadores não saem bebendo “como se não houvesse amanhã”. Os bebedores contumazes começam com uma estupidamente gelada e, claro, não param na primeira.

Mas com os apreciadores isso não acontece. Primeiro que, para eles, a bebida trincando de gelada é uma “heresia” e, segundo eles, o gelo serve para amortecer as papilas gustativas e mascarar o sabor da bebida.

E há mais diferenças. Antes da degustação, os amantes da cerveja analisam a bebida, aguçam os sentidos e bebem com calma, muita calma.

Para finalizar, quando a pessoa é apresentada ao mundo das cervejas, acaba indo além de ser um apreciador da bebida: entra em uma realidade onde conhecerá até a composição química de cada uma e no universo das bebidas artesanais.

É nesse mundo que se insere uma dezena de cervejeiros bauruenses, formando uma verdadeira confraria. Gente que aprendeu o que é uma cerveja de qualidade, apurou o paladar e, não contente com isso, foi além: especializou-se em produzir a própria bebida. Entre eles, estão Ricardo Domiciano, Fred Ventrice, Marcelo Maliverne, George Salles, Antonio Tonon e, sem nenhum preconceito de gênero, Tatiane Losnak. Ela, com orgulho, lembra que, nos dias de hoje, “os melhores cervejeiros são mulheres”. E mais: conta que as mulheres estão bebendo cada vez mais e, entre as preferências delas, estão as mais amargas e com bom teor alcoólico.

Beer somelier
No grupo, há também um beer somelier: Rodrigo Moraes. Ele é exatamente o que o nome em inglês sugere: um somelier de cervejas, um expert da bebida. Um profissional especializado em saber com qual cada estilo combina, como os pratos devem ser harmonizados e o que pede cada ocasião.

Unidos pelo mesmo hobby, os amigos se reúnem periodicamente para trocar receitas de cervejas, falar das experiências pessoais para que um experimente a novidade do outro e têm em comum uma dica: “É preciso abrir a mente, não se pode ter medo de experimentar, procurar conhecer as cervejas, das claras para as escuras e, das mais fracas para as mais fortes, e vice-versa”, diz Fred Ventrice, fazendo coro à opinião de todos.


A indústria e o jeito certo de apreciar

Diz a história (sem grandes comprovações) que a cerveja tem 4 mil anos de idade. A beberagem acabou sendo descoberta quando o ser humano deixou de ser nômade e aprendeu a cultivar grãos. Assim, a partir do trigo e da cevada fermentados, descobriu-se como produzi-la.  E caiu no gosto do mundo todo. Reza a lenda que, em 1.730 a.C., o Código de Hamurabi (olho por olho, dente por dente) previa o afogamento do cervejeiro em sua própria bebida caso ela fosse intragável, tamanha a importância que se dava a quem fabricava a bebida.

Até mais ou menos 150 anos atrás, a cerveja era produzida através de grãos maltados que lhe conferiam o teor escuro ou preto. As mais claras só foram possíveis de serem produzidas após a revolução industrial que, com seu maquinário, trouxe a possibilidade de pasteurização. Assim, em um curto espaço de tempo na história da humanidade, em menos de 200 anos, chegou-se aos quatro tipos de cerveja mais comuns dos dias de hoje: as IPA, Porter, Stout e Lager. 

Em tempo: IPA é a sigla de Indian Pale Age, cerveja desenvolvida a partir de conservantes da Índia. Vale lembrar que a história é que os ingleses precisavam de cervejas com mais lúpulo e álcool para que ela aguentasse viagens mais longas, pois o lúpulo é um conservante natural. E as viagens da época tinham como destino a Índia e os países colonizados pelos ingleses.

Porter é a tradicional cerveja escura oriunda do Reino Unido e com sabor amargo. A Stout é uma derivada da Porter, muito mais forte. Por fim, a Lager é uma cerveja produzida em estilo de fermentação diferente e, dentro desse tipo, a mais conhecida industrialmente é a Pilsen.

Dentro desses grupos, entram os mais de 200 estilos diferentes. Por isso, as pessoas leem os rótulos e acabam se familiarizando com alguns nomes como Mild, Porter, Stout, Imperial Stouts, Belga, Alemã, German, Tripel Belga, Barley Wines, Vintage Ales, Pale Ale, Golden Ale, Bittar, Pilsen, Pilsner, Lager, Kolsch, entre outros.