A combinação de chuvas fortes e calorão interfere diretamente na rede elétrica - e não é para melhor. Segundo estimativas da própria CPFL Paulista, o consumo aumenta 10% em meio ao abre e fecha de geladeiras e uso de ar condicionado. Ao mesmo tempo, problemas no sistema em Bauru crescem 25% por conta de chuvas fortes com quedas de árvores em postes, fios e transformadores.
O resultado são protestos e queixas mais constantes contra panes, conforme ocorrido recentemente na Vila Aviação e no bairro rural Águas Virtuosas. De acordo com o que mostrou o JC na semana passada, cerca de 30 pessoas atearam fogo em pneus em repúdio a blecaute que durou 17 horas, segundo afirma o presidente da associação de moradores do bairro, Roldney Guedes, 37 anos. “Todos se revoltaram, pois ali residem vários idosos que guardam medicamentos na geladeira”, diz.
Gerente da CPFL Paulista em Bauru, Clauber de Marchi Pazin informou que o transformador que abastece a região queimou sábado, dia 16, mas a troca do equipamento teria ocorrido na noite do mesmo dia. “Temos um problema social ali, porque há muitas ligações clandestinas e isso acaba gerando sobrecarga no sistema”, disse.
Não faltaram transtornos à população na primeira quinzena deste mês, quando fortes chuvas atingiram a cidade. O JC divulgou também o drama do aposentado Romeu de Campos Fabri, 79 anos, morador do bairro rural Águas Virtuosas. Ele ficou “às escuras” das 18h de terça até o meio-dia de quarta-feira.
Resultado: além de perder alimentos que estavam na geladeira, ele precisou percorrer 20 quilômetros para tomar banho em outra casa no Centro de Bauru, uma vez que, sem energia, a bomba elétrica do poço artesiano que abastece a região não funcionava, gerando ainda falta d’água no local. Na ocasião, a concessionária alegou não ter encontrado avarias nas proximidades, podendo tratar-se de problema interno na unidade consumidora.
Consumo e clima
Tantos transtornos à população por falta de energia estão relacionados a dois fatores: o consumo em excesso na época do verão e as tempestades, comuns no período.
A concessionária explica que as altas temperaturas da estação acabam modificando alguns hábitos em casa: os banhos passam a ser mais demorados, o abre e fecha das geladeiras se torna mais frequente e o uso de ventiladores e ar condicionado viram rotina.
“Historicamente, o consumo de energia nos 234 municípios atendidos pela CPFL Paulista no Interior aumenta em torno de 10% durante os ‘meses quentes”, em relação aos ‘meses frios”, diz a empresa em nota.
A alta no consumo, somada às fortes chuvas, gera outro aumento: o de ocorrências. Especificamente em Bauru, o acréscimo é de 25%, conforme estima Clauber Pazin. “Deste total, 90% são referentes à queda de árvores e descargas elétricas”, define.
Reforço
A concessionária, entretanto, garante que está preparada para as adversidades que a época traz.
Para atender toda a demanda, o engenheiro destaca que, além das equipes que já atuam normalmente na empresa, há reforço na escala de plantão (24 horas). “Ao invés de seis duplas, colocamos nove no trabalho de reparo e manutenção da rede”.
Além do complemento no efetivo, Pazin pontua que a CPFL Paulista investiu, entre 2014 e 2015, R$ 12 milhões nas subestações e transformadores de Bauru, com objetivo de reforçar os equipamentos para que resistam às ocorrências de verão. “Em 2016, serão investidos cerca de R$ 8 milhões”, adianta.
A CPFL Paulista coloca à disposição para reclamações o telefone 0800 010 1010.
Produtos com selo podem gerar economia de até 26%
Diante do aumento no consumo de energia na época do verão, o mais inteligente a fazer é extrair o máximo de desempenho dos eletrodomésticos gastando o mínimo. Uma medida apontada pela CPFL é procurar usar os aparelhos fora do horário de pico (entre 18h e 21h).
“Outra forma de buscar economia é comprar produtos com o selo Procel, cujo objetivo é indicar ao consumidor o nível de eficiência energética da mercadoria que está adquirindo. O selo expõe aparelhos que consomem de 12% a 26% menos energia”, disse a empresa em nota.
Outro ponto sensível nas residências é a iluminação que, em média, representa de 15% a 20% do valor da conta de energia. O ideal é substituir as lâmpadas incandescentes, que já estão proibidas, ou mesmo as fluorescentes, pelos modelos a LED, que são mais econômicas. “A redução no consumo com essa opção pode atingir até 80%, com igual resultado de iluminação. O chuveiro elétrico e a geladeira também são grandes consumidores de energia. Cada um deles representa de 25% a 35% do valor da conta no final do mês”, acrescenta.
Você sabia?
É importante desligar os equipamentos que não estiverem sendo usados. Os aparelhos ligados em stand-by (modo de espera) são “ladrões silenciosos” de energia. No caso de um DVD, o gasto do aparelho ligado em stand-by pode ser maior que durante o uso. Somados, todos os aparelhos em stand-by podem representar 12% do consumo de uma casa. Se o aparelho for usado por duas horas, duas vezes por semana, ficando o resto do tempo em stand-by, em um mês, a energia consumida será equivalente a quatro meses de uso do DVD.