As gerações contemporâneas nasceram em meio a uma das maiores revoluções que a humanidade experimentou. As distâncias foram suprimidas, a velocidade da luz chegou à comunicação e as relações se sofisticaram inimaginavelmente de um tempo pretérito curtíssimo para cá. A internet, em especial as redes sociais, mudou os paradigmas sociais e, com isso, desnudou as faces mais “Hamletianas” da espécie humana.
Muitos não observaram ainda que ao invés de navegarem pela internet, simplesmente naufragam, pois ao avesso de se buscar conhecimento, apenas se informam sem critério, com frivolidade e, o pior, com vulgaridades. Filósofos das futilidades e do senso comum são vazios em sua essência, e propagandistas de preconceitos e conceitos, muitos dos quais torpes, da pequenez da existência humana. Inconteste sensação de solidão moderna, esses indivíduos encontraram nas ditas “redes sociais” os atalhos mentirosos da não aceitação de si mesmo.
Necessitam se conectar diuturnamente, e avaliam a qualidade de seus miseráveis complexos pelo número de “amigos” que possuem, pelos acessos que tiveram, ou pelos “likes” que receberam. Neste contexto, perdeu-se o senso do caricato e desvendou-se sua face mais perversa, afinal, tudo é virtual inclusive as relações interpessoais. É importante ressaltar que ética é o conjunto de valores e princípios que aplicamos em nossa existência, e moral é a prática desta nossa ética, mas acabamos compactuando da ética como cosmético, ou seja, ética apenas de aparência. “Fast food” dos pensamentos rasos, grosserias, preconceitos, e assim olvidamos as grandes lições dentre elas do apóstolo Paulo em sua carta à Igreja de Coríntios, capítulo 1, versículo 12, no qual diz “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm”.
Esquecemos também das grandes indagações que deveriam nortear nossas condutas: Quero? Posso? Devo? Afinal, nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo, em decorrência da vivência comum. Inflexões desmesuradas não percebemos o passo das imagens que publicamos inadvertidamente, como também não ajuizamos as palavras que escrevemos, onde nestas ações praticamos verdadeiras imoralidades e contradizemos irracionalmente a ética.
É preciso sairmos dessa pobreza de relações. A internet é um formidável instrumento de conhecimento e de crescimento intelectual, social se bem utilizado, e não podemos praticar covardias e deformidades de nosso caráter sendo acobertados pela internet, afinal temos que nos libertar das nossas aparências ocas para essências mais fecundas.