08 de julho de 2026
Regional

Impasse trava reajuste de comerciários

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Desde setembro, comerciários de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) e região aguardam assinatura de acordo entre o sindicato que defende a categoria e o sindicato patronal para o reajuste nos salários. Enquanto a entidade de classe pede reposição integral da inflação e manutenção das cláusulas da convenção coletiva em vigor, empresas querem reajuste “parcelado” e previsão para jornada parcial de 25 horas semanais.

O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Botucatu (Sincomerciários), Carlos Roberto Negrisoli, conta que a data-base da categoria é 1º de setembro. De lá até agora, a entidade e o Sindicato do Comércio Varejista de Botucatu e Região (Sincomercio) não chegaram a um consenso.

“A princípio, eles estavam querendo dividir a inflação acumulada, que é de 9,88%. Eles queriam dar 5% em setembro e o restante só a partir de março deste ano”, explica. A última proposta do Sincomercio, recusada pela categoria, prevê a reposição da inflação, com pagamento da diferença retroativa à setembro em cinco parcelas. 

“A situação para o comércio está muito complicada. Vender hoje está muito difícil porque a renda das pessoas está comprometida”, justifica a presidente da entidade, Fátima Baldini.

“A gente entende que é um ano difícil, que o país está passando por uma série de perturbações. A gente quer, simplesmente, só o reajuste da inflação, sem ganho real e sem alterar cláusulas da convenção anterior, tanto da nossa parte, quanto da parte patronal”, rebate Negrisoli.

Jornada

Outro ponto que está travando a negociação é a proposta de regularização da jornada parcial, que está prevista na CLT, mas não integra a convenção coletiva da categoria. “Agora eles querem colocar jornada parcial de até 25 horas semanais, onde o trabalhador vai ganhar proporcionalmente a essas 25 horas trabalhadas. O salário médio acaba saindo por R$ 560,00”, diz o presidente do  Sincomerciários.

“Essa pessoa não consegue arrumar um outro emprego porque um dia ela vai trabalhar na quarta, outro dia vai trabalhar na quinta, no sábado, no domingo. Ela não consegue sustentar sua família com o que vai receber. E isso a gente não pode aceitar”.
A presidente do Sincomercio tem uma opinião diferente. “Essa jornada de 25 horas aumenta o número de empregos. Ela acaba trazendo para o comércio pessoas que, às vezes, têm outro emprego”, avalia. “É uma coisa muito importante para o comércio hoje”.

Sindicato planeja manifestações

Nos próximos dias, o Sincomerciarios de Botucatu irá fazer manifestações em frente a grandes empresas para conversar com os funcionários e explicar por que eles ainda não tiveram reajuste. As ações devem começar por Botucatu, nos dias 4 e 5 de fevereiro. Além de Botucatu, os sindicatos patronais de Marília, Bauru, Jaú, Assis e Palmital não assinaram a convenção coletiva. A reportagem apurou que as entidades buscam acordo padronizado para evitar diferentes regras para empresas com lojas em duas cidades.

Tumultuando as negociações

A presidente do Sincomercio, Fátima Baldini, alega que, desde 2013, o Sincomerciários “tumultua as negociações”. Na ocasião, segundo ela, a entidade queria proibir abertura do comércio aos sábados, situação regularizada por lei municipal. Baldini ressalta que as negociações continuam e que, até a assinatura da nova convenção, o que valem são as regras da convenção em vigor. Ela também orienta empresas a não assinarem acordos individuais com o sindicato dos empregados. “Não tem validade nenhuma”, diz.