| João Rosan |
| O professor Daniel Baldim e o educador Habib Jacob jogam xadrez em praça do Jardim América |
Levar serviços gratuitos aos bairros de Bauru, estimular o contato humano e inspirar o sentido de comunidade entre os moradores. Com este lema, o educador de cidadania Habib Jacob busca apoiadores para ampliar seu projeto, o Pensando 10 Cultura, criado em 2004 como uma ferramenta para transformar realidades.
A iniciativa, que já engloba quatro praças em diferentes bairros da cidade, conta, atualmente, com patrocínio de cerca de quarenta empresas. Mas o educador quer mais. “Meu desejo é construir uma minibiblioteca e uma miniquadra de basquete e vôlei em uma das praças”, sonha.
E Jacob é mesmo um sonhador. Há 12 anos, ele criou o Pensando 10 Cultura para recuperar praças de Bauru e torná-las espaços que pudessem voltar a ser efetivamente ocupados pelos moradores. Depois de plantar flores e árvores frutíferas, construir passagens de concreto e instalar mesas com tabuleiros de xadrez e bancos, o projeto passou a oferecer alguns serviços gratuitos aos moradores.
Entre eles, estão pequenas reformas ou manutenções nas residências dos moradores e aulas de xadrez para crianças e adultos. “Hoje, contamos com a colaboração de três pedreiros, um técnico em agronomia para serviços de jardinagem e um professor de xadrez. E eu, como educador, incentivo a leitura na praça e a participação das pessoas nas atividades. A ideia é quebrar paradigmas”, comenta.
Jacob conta que a mão de obra destes profissionais é paga pelo próprio projeto com o dinheiro arrecadado junto às empresas apoiadoras. A quantia que sobra é utilizada para a manutenção das praças e para divulgar o nome dos patrocinadores no Zoológico de Bauru.
“As marcas são inseridas nas placas informativas de algumas espécies. É um recurso que ajuda a custear a alimentação destes animais, além de proporcionar a entrada gratuita de estudantes que vão ao Zoo em excursões de escola”, pontua.
Marketing social
Dependendo da cota mensal, que vai de R$ 50,00 a R$ 250,00, o nome das empresas também é divulgado nos tabuleiros de xadrez que ficam nas praças, no site do projeto e nas páginas do Jornal da Cidade e da Revista Atenção, também apoiadores da iniciativa. “Nossa intenção é obter o auxílio de mais 20 empresas. Queremos ampliar os serviços oferecidos, assim como a abrangência para outros bairros”, relata, destacando que presta periodicamente contas ao Ministério Público sobre os investimentos realizados.
Hoje, o Pensando 10 Cultura mantém, nestes moldes, quatro praças, localizadas no Jardim América, Jardim Aeroporto, Vila Mariana e Centro. Assim que conseguir captar mais recursos, Jacob planeja mobilizar vigilantes noturnos, que já são pagos pelos moradores, para integrarem o projeto.
“Nosso papel seria estimular outros moradores a custear o serviço prestado por eles e, em contrapartida, estes agentes de segurança também tomariam conta das nossas praças à noite, além de serem novos porta-vozes da nossa iniciativa”, aponta.
Outra estratégia que o educador pretende colocar em prática é realizar uma rifa para arrecadar R$ 30 mil. O valor, segundo ele, seria suficiente para construir uma minibiblioteca e uma miniquadra poliesportiva ao lado da praça do Jardim América.
Conscientização
A primeira praça em que o projeto Pensando 10 Cultura efetivamente se desenvolveu está localizada na quadra 1 da rua Doutor Paulo Valle, no Jardim América, frequentada por moradores não apenas do bairro, mas também de comunidades vizinhas.
Segundo Habib Jacob, logo no início da implantação, a praça sofreu com depredações, mas, aos poucos, o educador conta que foi ganhando a confiança dos frequentadores. “Com conversa, ouvindo o que eles desejavam, oferecendo um suco, um livro de presente, as coisas foram mudando. As pessoas passaram a respeitar e entender que aquilo tudo também é delas”, analisa.
Mais do que diversão
Professor de xadrez que integra o projeto, Daniel Baldim explica que o esporte, mais do que diversão, provoca estímulos cerebrais importantes, capazes de melhorar o desempenho das crianças em outros aspectos de suas vidas, inclusive na escola. “O xadrez ativa os dois lados do cérebro. Enquanto a criança se diverte, ela tem um ganho na área cognitiva”, frisa.
Entre as habilidades que o xadrez desenvolve, estão a concentração, a memória, o raciocínio lógico, a paciência, a capacidade de planejamento e a autoconfiança. “Além disso, é um meio para gerar interação entre as pessoas, de todas as raças, classes sociais e idades”, completa.
Serviço
Interessados em contribuir com o projeto Pensando 10 Cultura podem entrar em contato com Habib Jacob por meio do site https://www.pensemos10cultura.com.br ou pelo telefone (14) 99722-1047.