| Fotos: Aceituno Jr. |
| Bateria ensaia e anima participantes para os ajustes finais |
| Chiquinho Saes |
Considerada uma das mais importantes figuras femininas da história negra, a saga da escrava Anastácia encerra com a Tradição da Bela Vista o desfile no dia 8 de fevereiro no Sambódromo de Bauru. E, por coincidência, a escola conclui também a série de reportagens do Jornal da Cidade com as escolas de samba bauruenses.
O enredo “Sua beleza a condenou a viver com máscara de ferro, escrava Anastácia, mártir e heroína” é uma homenagem à luta dos afrodescendentes por igualdade e valorização da cultura negra.
História e mito
Diz a lenda que a escrava Anastácia, nascida em 1740, além de curandeira era muito bonita e chamava a atenção pelos seus olhos claros, “herança” do homem branco que violentou e engravidou sua mãe.
Tentando evitar o mesmo destino, Anastácia não quis se “deitar” com o feitor da fazenda. Por isso foi açoitada e condenada a viver com uma máscara de ferro no rosto, retirada apenas para que ela fosse alimentada.
Após sua morte, em data incerta no Rio de Janeiro, passou a ser cultuada como santa, mártir e heroína. Seus restos mortais estavam na Igreja do Rosário e sumiram após um incêndio, contribuindo para que ela se tornasse um mito religioso na crença popular.
25 anos de ‘avenida’
Para o presidente da Tradição da Bela Vista, Francisco Saes, o Chiquinho, é importante tornar personagens históricos como Anastácia mais conhecidos, mas há outra motivação para essa escolha.
“Quando o Sambódromo de Bauru foi inaugurado em 1991, a Tradição da Bela Vista desfilou com o enredo afro sobre Chico Rei e pensamos que seria legal comemorar o Jubileu de Prata da nossa passarela do samba com outro tema da cultura afro”.
De acordo com ele quatro escolas estavam presentes na inauguração: Mocidade Independente da Vila Falcão (substituída pela Mocidade Unida), Deixa Falar (do Geisel), Império da Nova Esperança e Tradição da Bela Vista.
Esta última ficou alguns anos fora dos desfiles porque seus fundadores mudaram de bairro e criaram a escola-irmã Tradição da Zona Leste, do Mary Dota. “Mesmo sendo difícil manter as duas escolas, a Tradição da Bela Vista faz parte da história do Carnaval em Bauru e resolvemos voltar para ficar!”, conta Chiquinho.
“Fazemos a parceria das Tradições, uma ajuda a outra e une os bairros, mas a base dessa é o pessoal da Bela Vista. Muitos começaram lá atrás e retomaram com a gente”.
| Samba-enredo
Autor: Vagner Nescau
Jardim Bela Vista hoje está em festa A Tradição vem coroar escrava Anastácia Mulher guerreira, a heroína popular
Filha da negra nobreza, beleza de se admirar Pureza, doçura e encanto Que fez o feitor se apaixonar A dor da chibata não lhe corrompeu, herdeira Foi perseverante jamais se rendeu, guerreira Mulher de fibra e opinião Exemplo forte pra uma nação A fé persevera do povo Do misticismo a religião Na batida do tambor No silêncio da oração Escrava Anastácia, olhai a minha Tradição
Minha Bela Vista Hoje vem em procissão Chamar pelo povo E a melhora da nação.
|