08 de julho de 2026
Geral

Exame não aponta microcefalia no bebê da 1ª gestante com zika

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

É normal o desenvolvimento do feto de 18 semanas da primeira mãe bauruense que contraiu o zika vírus, sem qualquer sinal de anomalia que indicasse caso de microcefalia até este momento. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde em relação ao exame de ultrassonografia realizado na gestante.

A primeira bauruense que contraiu o zika vírus, moradora no bairro Pousada da Esperança 2 e que trabalha no Jardim Higienópolis, está recebendo o acompanhamento especializado de serviços integrados em seu pré-natal. “A ultrassonografia mostrou desenvolvimento normal do feto para 18 semanas, o que é uma notícia muito positiva. O exame apontou que não surgiu qualquer sinal de ocorrência de microcefalia nesta paciente”, contou, nessa sexta-feira (29) à tarde, o secretário Municipal de Saúde, Fernando Monti, na Câmara Municipal, durante audiência pública de prestação de contas da pasta para o exercício de 2015.

O médico infectologista considera promissor o resultado também sobre outro indicador. “Fique claro que não há estudo científico em nenhum lugar até agora que assegure que o feto não sofra a ocorrência de microcefalia até o final da gestação. Mas como o exame não apresentou esta ocorrência para 18 semanas, no caso desta gestante de Bauru, é animador. Isso porque a tendência até agora é de que a ocorrência da doença esteja concentrada até os três primeiros meses de gravidez. Mas isso é tendência”, pontuou.

Por esta razão, o secretário Municipal de Saúde enfatiza que é extremamente importante que as mães grávidas continuem tomando todos os cuidados para evitar que sejam picadas pelo mosquito. E a forma eficiente e objetiva de controlar a doença, repete Monti, hoje é não ser picado pelo mosquito.

“As gestantes precisam continuar alertas, tomando os cuidados preconizados, se protegendo. Quanto às ocorrências de zika vírus, o caminho é o mesmo da dengue: impedir a proliferação do mosquito, sendo 80% dos casos com ações dentro das casas. Sem o envolvimento da população não tem como atacar isso”, mencionou.

Estratégia

Em relação à apuração sobre a dimensão da presença do mosquito circulando com o zika vírus em Bauru, Fernando Monti também ponderou que os mecanismos disponíveis não dão todas as respostas.

“Estamos atuando na região da Pousada 2 e do Higienópolis, que é onde essa primeira gestante mora e trabalha, porque é importante saber qual a extensão de circulação do zika vírus. Mas não tem como saber isso em toda a cidade. E porque também não tem exame para o zika vírus para atender. Então, estamos fazendo busca ativa. Esta é nossa fase de ação”, abordou.

Outro dado mencionado pelo secretário e médico é de que também não se sabe quanto tempo o vírus permanece atuando no organismo humano. “O que se sabe é que o vírus da dengue tem imunidade permanente para a dengue. A tendência é que isso também aconteça para o zika. Mas não há isso ainda definido nos organismos de saúde em nenhum local do mundo. Vamos torcer para que a imunidade permanente também valha para o zika”, citou. Imunidade permanente significa que o cidadão contrairá a doença uma única vez, como o sarampo e a própria dengue.  

Cobertura de grávidas

A Secretaria Municipal de Saúde apresentou nessa sexta-feira (29), em audiência pública, que os programas locais de atenção à mulher atenderam 4.108 gestantes em 2015, o que representa uma cobertura de 83,6% das grávidas em Bauru. Considerando o atendimento privado, a cidade registrou, até o final do ano passado, 4.911 nascidos vivos.

Conforme os dados da secretaria, do número de mulheres atendidas pela rede ao longo da gravidez, 93,3% fizeram seis ou mais consultas de pré-natal (3.834 pessoas), além de 12.708 coletas de papanicolau e 2.699 mamografias nas unidades de saúde da prefeitura.