11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em meio à crise, Carnaval no Sambódromo vira esperança dos vendedores ambulantes

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan
 Vendedores ambulantes participaram de sorteio para escolher pontos nos quais vão atuar dias 6 e 8 de fevereiro: folia rentável

Em meio à crise, os vendedores ambulantes depositam suas esperanças nos desfiles de Carnaval no Sambódromo de Bauru. Diferentemente dos assalariados, os “freelancers” não contam com dinheiro extra no final de cada ano.

A festa que destaca as escolas de samba e blocos carnavalescos da cidade é vista como um “13.º salário atrasado” por quem lucra com a venda de alimentos e bebidas em barracas ou trailers. É a oportunidade, enfim, de colocar as contas em ordem.

Para tanto, a prefeitura realizou, na sexta-feira, o sorteio dos pontos em que os vendedores ambulantes irão atuar no sábado (6) e segunda (8) de Carnaval, em fevereiro, quando ocorrem os desfiles.

‘Sentimos bastante’

Primeira a ser sorteada, a comerciante Angela Maria de Oliveira da Silva, 42 anos, vislumbrava aumento nas vendas de salgados e pasteis que ela vai comercializar na festa. “Nós, que vivemos de serviço autônomo, sentimos bastante toda essa crise. O povo está, de fato, economizando para não se endividar ao longo do ano. A nossa esperança é vender bem para o público do Sambódromo e conseguir quitar as contas de começo de ano, como impostos, taxas”, destaca Angela.

Também com expectativa positiva, o vendedor ambulante Valdecir Obristo Durval, 52 anos, ressaltou ao JC que os desfiles em Bauru sempre lotam e, em razão da entrada gratuita, o público aproveita para consumir nas barraquinhas. “Apostamos nisso. Nós também não pagamos nada. Para participar de outras festas, porém, desembolsamos até 30% de ‘taxa’”, contou.

Espeto e bebida

O autônomo Ronaldo da Silva Ferreira, 38 anos, percorre todos os “cantos” de Bauru e cidades da região para vender espetinho e bebidas. Apesar do esforço, ele diz que a “coisa está feia”. “Janeiro é um mês difícil porque ninguém tem dinheiro. O Carnaval será mesmo o nosso 13.º salário”, aposta Ferreira. O próximo passo será conquistar clientes no Sambódromo.

Espírito crítico

Muitos vendedores ambulantes conversaram com a reportagem nesse domingo (31) e disseram estar insatisfeitos com a logística da prefeitura. Eles contam que até 2014, as barracas ficavam próximas às arquibancadas. Desde o ano passado, porém, o local mudou para via pública e as barraquinhas ficaram mais distantes do público.

“Não tem energia elétrica por perto e somos obrigados a ‘emprestar força’ dos vizinhos. Os banheiros ficam mais longe também”, critica o ambulante Valdemir Pereira, 68 anos. “O tráfego de veículos atrapalha bastante”, emenda o comerciante Valdir Sarto, de 56 anos. 

Outro lado

Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru informou que a Secretaria de Planejamento apontou que, após o Carnaval de 2014, foi tomada a decisão de mudar o local de instalação das barracas dos vendedores ambulantes do espaço próximo às arquibancadas para a rua dos Abacateiros.

A decisão foi tomada em reunião entre a Secretaria de Cultura e a Polícia Militar, com o intuito de proporcionar maior segurança tanto para os ambulantes quanto para o público que vai ao Carnaval no sambódromo, na medida em que aumentou o espaço entre a arquibancada e os comerciantes, evitando aglomerações. Por outro lado, a Secretaria de Obras informa que a instalação dos pontos de energia elétrica para as barracas não é atribuição da prefeitura, assim como ocorreu no ano passado.

João Rosan
Angela da Silva foi a primeira a ser sorteada
 Valdemir gostaria que as barracas ficassem mais perto do público
 Valdir também gostaria que as barracas ficassem mais perto do público
Ronaldo Ferreira: “Carnaval será o nosso 13.º salário”