09 de julho de 2026
Internacional

OMS declara zika vírus como emergência global de saúde pública

Por Jamil Chade | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a explosiva disseminação do zika vírus nas Américas é um "evento extraordinário" que merece ser declarado como emergência internacional.

A agência fez uma reunião de emergência com especialistas independentes nesta segunda-feira para avaliar a epidemia depois de notar uma ligação suspeita entre a chegada do zika vírus no Brasil em 2014 e um aumento no número de bebês nascidos com microcefalia.

Embora a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, tenha afirmado que não existe prova definitiva de que o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, seja responsável pelo nascimento de bebês com a cabeça menor que o normal, ela reconheceu que "o nível de alarme é extremamente alto".

A última emergência de saúde pública foi declarada pela OMS para a epidemia de ebola no oeste da África, em 2014, que deixou mais de 11 mil mortos. A organização estima que pode haver até 4 milhões de casos de zika nas Américas no próximo ano.

Demora

O vírus foi descoberto em Uganda em 1947 e os primeiros casos em humanos aconteceram na Nigéria em 1954. Em 1977, ele foi registrado no Paquistão e, 20 anos mais tarde, na Micronésia. A Polinésia Francesa foi alvo de um surto em 2011 e, agora, a OMS estima que todo o continente americano será afetado.

Apesar da decisão de hoje, no Journal of the American Medical Association, cientistas criticaram a OMS por não terem aprendido as lições do ebola. O temor dos cientistas é de que, mesmo que uma vacina esteja pronta em dois anos, sua chegada ao mercado pode levar uma década.

Num artigo assinado, Daniel Lucey e Lawrence Gostin apontam que o fracasso da OMS em agir levou a milhares de mortes pelo ebola na África. O mesmo cenário poderia ocorrer se uma ação imediata não for tomada.

"Ainda que o Brasil, Opas e o CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos) tenham agido rapidamente, a sede da OMS até agora não tem sido pró-ativa, dando espaço para potencial ramificações", concluíram.