| Douglas Reis |
| Grupo de manifestantes informou que só deixará escritório do Incra após a liberação das terras |
Com o objetivo de reivindicar e pressionar a distribuição de terras em fazendas de Bauru e região, cerca de 50 integrantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) ocuparam, na manhã dessa segunda-feira (1), o escritório do Instituto BioSistêmico (IBS) - prestador de serviços e representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Bauru.
Parte dos sem-terra se concentrou em frente ao prédio, na quadra 18 da avenida Getúlio Vargas, enquanto o restante, cerca de 20 pessoas, permaneceu na sala administrativa, onde bandeira foi estendida em uma das janelas. Sala do Incra na Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) também foi ocupada, mas manifestantes logo saíram do prédio.
De acordo com o dirigente estadual da FNL, Ricardo Rodrigues, o movimento acontece simultaneamente, em nível nacional, e tem como intuito agilizar a reforma agrária em terras que estariam improdutivas. Em Bauru, seriam duas fazendas: São Leopoldo e Santo Antônio, além de outras seis áreas que compreendem a região.
Para tanto, ainda segundo Rodrigues, uma ação judicial teria, inclusive, estipulado prazo para o Incra resolver o impasse. “O movimento entrou com ação no Ministério Público (MP) e, contando a partir do último dia 20 de janeiro, são 190 dias para que o Incra libere as terras para iniciarmos o processo de reforma agrária”, destaca. Rodrigues reitera que as áreas estão improdutivas e que os integrantes esperam resposta do órgão.
“Na fazenda São Leopoldo, já vivem 180 famílias. Na Santo Antônio, são 220”, enumera o dirigente estadual da FNL, destacando que o grupo só deixaria o escritório do Incra, em Bauru, mediante a liberação das terras. “Vamos ficar até que a situação seja resolvida”. Até o fechamento desta edição, eles permaneciam no local.
Na cidade de Iaras (90 quilômetros de Bauru), de acordo com Rodrigues, cerca de 80 integrantes da FNL também ocuparam a sede do Incra, nessa segunda. Por e-mail, a reportagem do Jornal da Cidade entrou em contato com a assessoria de imprensa do Incra, mas não obteve resposta até o final do mesmo dia.