07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Bode expiatório chamado Carnaval

Vinicius Trombini Martins - Administrador e produtor de eventos
| Tempo de leitura: 4 min

Ao ler a missiva do sr. Juraci Xavier, da última quarta-feira (27/01), publicada neste conceituado jornal, cujo tema foi o carnaval e a consciência do nosso prefeito, não pude deixar de enviar esse texto com algumas informações pertinentes para talvez explicitar um pouco as observações distorcidas feito pelo autor em seu texto.


Ele começa questionando as verbas destinadas às escolas de samba, fazendo um paralelo com a “calamidade” (sic) que a cidade vem passando por falta de uma boa administração. Em seguida fala sobre os “chupins” da administração que estão no poder por conta das coligações eleitorais. Depois disse que gostava de carnaval, mas que sempre arcou com suas despesas, e por isso não dependia do dinheiro público. Por fim, finaliza dizendo que o trabalho de uma escola de samba é lindo, mas que elas têm que arrumar verbas para fazer o carnaval e que este não deve ter dinheiro público para satisfazer apenas 20 mil munícipes, enquanto 400 mil são prejudicados.


Vamos por partes: em primeiro lugar gostaria de saber de onde o senhor Juraci tirou esses números, visto que a população de Bauru é estimada em 366.992 habitantes, segundo o último levantamento feito pelo IBGE. Em segundo lugar, o incentivo e difusão da cultura do estado para todos os cidadãos brasileiros é garantido pelo artigo 215 da Constituição Federal.


Por fim, a verba destinada para o carnaval tem respaldo na lei e movimenta a economia da cidade. Estima-se que mais de 40 mil pessoas de Bauru e região venham à cidade assistir ao desfile. Fazendo uma conta bem simples e pessimista, se cada um gastasse em média 30 reais, teríamos retido na cidade cerca de R$ 1,2 milhão circulando no nosso comércio. Valor esse que por si só já compensaria o investimento da prefeitura no carnaval, que esse ano é de aproximadamente de R$ 1 milhão. Isso sem contar as centenas de empregos diretos e indiretos que são gerados, tanto para os comerciantes, quanto para prestadores de serviço que trabalham no apoio logístico da festa. E não são poucos!


Bauru ficou 9 anos sem carnaval. Teoricamente, a cidade “economizou” a verba que antes era direcionada à festa e eu faço as seguintes perguntas ao senhor Juraci e às outras pessoas que compactuam com sua linha de raciocínio: o que mudou em Bauru? O que melhorou na cidade nesse período em que ficamos sem carnaval? O que foi investido? Absolutamente nada! A cidade continuou com falta de água, fila em creches, buracos, saúde em caos etc. Portanto, é demagogia usar o argumento de que a verba de carnaval deveria ser destinada a outras áreas. Como disse anteriormente, a cultura é tão importante quanto à saúde, educação, infraestrutura etc.


Nossa população merece se entreter, pois em sua carga tributária é previsto que parte dela seja retornada em cultura. Quanto à incompetência dos secretários do município ora denominados como “chupins”, não tenho uma opinião formada de modo a refutá-lo, apesar de achar que a generalização é o cúmulo da preguiça. O que posso dizer com propriedade é daquilo que conheço e acompanho de perto.


Por esse motivo, não há o que se dizer da gestão do nosso secretário de Cultura Elson Reis, que foi capaz de colocar a cultura da cidade, que há muito era “chupinhada” por pessoas desqualificadas para tal, em ordem e funcionando. Tudo isso fruto de sua experiência e competência na área além de contar com uma equipe engajada e comprometida no que faz. Temos também o secretário da agricultura Chico Maia, que sem dúvidas é uma peça fundamental para nossa cidade, visto que grande parte do investimentos ao município se deve a ele, mas vamos focar na cultura e no carnaval.


Concluindo, digo que é fácil achar um “bode expiatório” ou “boi de piranha” em meio aos problemas que vivemos, em todos os níveis de governo e de sociedade. Exigir, cerca de duas semanas antes da festa, que ela seja cancelada é algo que soa populista, imediatista e cruel com todos aqueles que trabalharam durante todo o ano esperando pelo evento. Por mais que concorde que a festa deva “andar com as próprias pernas”, a proposta do sr. Juraci (e de outros tantos) para esse ano é inviável e temerária. Portanto, vamos todos ao Sambódromo dias 6 e 8 de fevereiro nos esbaldar nessa festa genuinamente popular que que traz sim recursos financeiros para cidade de forma a compensar os gastos por ele gerado.