10 de julho de 2026
Geral

Conselho proíbe veterinário de ajudar animais de pessoas carentes e vídeo roda o País

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

Você provavelmente já deve ter visto este assunto nas últimas horas em sua rede social. O vídeo, que já ultrapassou 2 milhões e 700 mil visualizações da Internet nas últimas 24 horas, repercute o que muitas pessoas em Bauru, que gostam e protegem os animais, se perguntam e se identificam. Quem cuidará, clinicamente, dos cães e gatos de rua e das pessoas que não têm condições de tratá-los com um médico veterinário? Isso fica como responsabilidade somente das ONGs? Os bichinhos devem continuar perecendo ali mesmo, em meio a doenças pelas guias e ruas da cidade?

Estas são apenas algumas questões que parte da população se preocupa e o assunto não entra na pauta dos vereadores. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo, com sede na Capital paulista, tomou uma atitude nesta segunda-feira (1). Eles notificaram o veterinário Ricardo Fehr Camargo, de São Carlos (SP), que ajudava pessoas de baixa renda.

O Conselho considera um risco para a categoria o profissional disponibilizar atendimento a animais com risco de morte, pertencentes a famílias carentes, porque não considera isso uma “utilidade pública” e muito menos “ético”.

Punição

O vídeo rodou o País por meio do Facebook. Na imagem, a fiscal notifica a clínica, diz que Ricardo pode sofrer um processo ético junto ao Conselho e proibiu a ação do veterinário de tratar estes bichos, mesmo que isso fosse feito somente aos sábados, fora do seu horário de expediente tradicional e com dinheiro do próprio bolso. Ainda no vídeo, o Conselho alega que ele, obrigatoriamente, precisa cobrar.

"Só quero colaborar"

O advogado do veterinário explica, no vídeo, que a atitude colaborativa teve início quando um homem o procurou na clínica com o cachorro em estado avançado de uma determinada doença.

Ainda de acordo com o advogado de Ricardo, ele orientou a pessoa a procurar a Prefeitura de São Carlos. Assim como em várias situações semelhantes aqui em Bauru, ele não conseguiu ajuda. Um dos comentários que "mitaram" no post do vídeo foi: "No País da corrupção, ajudar pessoas carentes, de graça, é ilegal".

O veterinário Ricardo Camargo viu então a necessidade de colaborar com alguns moradores de baixa renda.

Ele e a esposa iniciaram triagem e fizeram postagem da prestação de serviço no Facebook. O caso repercutiu devido a denúncias de colegas de profissão e Fernando foi notificado.

O impasse gerado é que, segundo o Conselho de Ética de Medicina Veterinária do Estado, isso é proibido e não é considerado, legalmente, como utilidade pública, mesmo que o termo não esteja especificado juridicamente.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Veja o vídeo: