Graças a uma boa pitada de bom senso, já deve ter uns 5 ou 6 anos que eu nem mesmo percebo que está passando aquela bizarrice do BBB. Entretanto, uma matéria de um portal de Internet chamou-me a atenção para algo que aconteceu dentro da casa (parodiando Pedro Bial) mais idiota e sem noção do Brasil: a polêmica em torno de um utensílio doméstico em forma de um boneco com cabelo estilo black power.
O embate é porque os grupos afro dizem que aquilo é racismo e exigem a retirada do boneco ofensivo à raça negra. Entretanto, se um ocupante negro tivesse aparecido com aquele boneco e a Globo tivesse mandado tirar, a gritaria seria pelo direito do negro em manter algo que o identificasse com símbolos da raça. Ou alguém duvida? Vou mais longe. Embora haja uma cultura de adoração e amor pela cor, se eu disser “amo ser branco” alguém me apontará o dedo para perguntar: e tem algum problema em ser negro?
Raça Negra, Negritude Jr ou Neguinho da Beija-Flor são lugares-comuns na música brasileira, mas se formarem uma banda chamada Raça Ariana, muros serão pixados acusando de racismo e explodirão ameaças nas redes sociais. Salvo os casos emblemáticos que merecem atenção, a verdade é que essa luta nasceu perdida no Brasil porque os grupos afrodescendentes não querem discutir igualdade. Querem exclusividade. Querem ressaltar diferenças em seu favor. Querem se apropriar do que não lhes pertence, porquanto direitos iguais nem sempre lhes é oportuno.
A maior garantia que uma república democrática pode dar ao cidadão (de que injustiças nunca mais ocorrerão) está na Constituição Federal, quando diz que todos são iguais perante a lei. Cada vez que se levanta a bandeira da desigualdade e se exige leis, cotas ou outro tratamento diferenciado, perpetua-se a dicotomia e o ódio de ambos os lados. Primeiro porque a balela de “dívida histórica” é papo-furado para angariar votos de mentes vazias.
Segundo, porque isso só camufla a real dificuldade de acesso a uma vida mais digna ou melhor educação para qualquer pessoa sem condições, branco, negro ou pardo. E, terceiro, porque cada imbecil com esterco ideológico na cabeça, defensor da teoria de tirar vagas, dinheiro ou direitos de um para dar ao outro, é um imoral sem coragem. Esse tipo quer que se tire tudo de todos, desde que não dele próprio. A contribuição dele para o legado das desigualdades é a mesma que alimenta a existência do BBB por tanto tempo de forma inútil: um mero baldio.