A Campanha da Fraternidade (CF/2016) é ecumênica e organizada em espírito de unidade por todos os participantes do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) e deverá ser desenvolvida através da Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia. Esta IV Campanha da Fraternidade Ecumênica será internacional tendo em vista que a Misereor - organização dos bispos alemães para a cooperação e o desenvolvimento - juntou-se a nós, brasileiros, nesta caminhada.
O tema “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça como riacho que não seca”, têm como objetivo “assegurar o saneamento básico para todas as pessoas” e despertar a responsabilidade e o empenho por atitudes e políticas públicas que assegurem a integridade e o futuro da nossa Casa Comum. A Encíclica do Papa Francisco Laudato Si, que clama para que toda a humanidade assuma o desafio de proteger a Casa Comum, através de um desenvolvimento sustentável e integral - serve de subsídio para esta CF/2016.
É tempo, então, de todos os homens de boa vontade se unirem para, a partir da própria mudança de atitude, cobrar daqueles que, de alguma forma estão no poder público, desde os vereadores da cidade, prefeito, governador de Estado, até o mais alto mandato do país, que tenham o devido respeito para com a nossa Casa maior, cuidem dos nossos mananciais, que controlem as poluições, que gastem e invistam no saneamento básico, que não é apenas colocar redes de esgoto e coleta de lixo. É preciso dar continuidade à cadeia de saneamento, esgoto tratado, lixo reciclado, derrubadas de matas com controle e áreas com compensação de plantios, despoluição de rios e mares. Sabe-se que tal tarefa não é fácil e nem barata, mas é necessária para a qualidade de vida da nossa Casa Comum.
Os nossos governantes dizem que não há verbas, porém, é uma afirmação duvidosa. Dinheiro para construir estádios de futebol superfaturados e vilas olímpicas que se transformam em elefantes brancos tem. Escândalos financeiros que estamos cansados e enojados de assistir, demonstram que muitos dos envolvidos com a causa pública possuem iniciativa, mas nenhuma terminativa.
No entanto, além de cobrar medidas, é preciso ter atitudes coerentes com o que se está exigindo do poder público. Cada um de nós, pobre, rico, remediado, somos responsáveis pela sociedade “sujismunda” em que vivemos. Como estamos tratando o espaço que habitamos? Onde está sendo colocado o nosso lixo? Como está o nosso quintal? Jogamos na rua tudo o que não nos serve? Levamos a sério a coleta seletiva de lixo? Conhecemos e utilizamos os locais de coleta seletiva que existem no bairro?
Nós mesmos produzimos o lixo. Então, nós mesmos somos os responsáveis por dar o destino certo ao lixo que produzimos. Se cada um fizer bem a sua parte estará colaborando para que a nossa Casa Comum esteja protegida e possa nos proteger por mais tempo. O momento é agora: levantar os problemas (ver), colocar as prioridades (julgar), mudar as próprias atitudes e cobrar para que medidas sejam implementadas para o bem da nossa Casa Comum (agir).