10 de julho de 2026
Cultura

Livro "Escaravelho do Diabo" invade as telas brasileiras em abril

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Aline Arruda/Divulgação
Marcos Caruso vive delegado Pimentel; acima, cartaz oficial do filme, que estreia em abril
Aline Arruda/Divulgação

Falou em Coleção Vaga-Lume (Editora Ática), falou em “O Escaravelho do Diabo”. O livro da jornalista mineira Lúcia Machado de Almeida (1910-2005) é uma página marcante do segmento infanto-juvenil nacional e, agora, entra em contagem regressiva para chegar aos cinemas. Dessa vez, sem mistério: estreia em 14 de abril, uma quinta-feira.

A adaptação para as telonas ficou a cargo de Melanie Dimantas e Ronaldo Santos – e a direção foi de Carlo Milani com fotografia de Pedro Farkas, produção da Dezenove Som e Imagens, coprodução da Globo Filmes e distribuição Paris Filmes e Downtown Filmes, segundo a assessoria.

Além dos estreantes Thiago Rosseti (Alberto) e Bruna Cavalieri (Raquel), o filme conta com os experientes Marcos Caruso (o “novo” seu Peru da “Escolinha do Professor Raimundo que, no longa, vive o delegado Pimentel) e Jonas Bloch (Padre Paulo Afonso), entre outros.

Interior na cena

Amparo, Monte Alegre do Sul, Holambra, Jaguariúna e Campinas foram cidades escolhidas para registro de cenas que, agora, dão vida cinematográfica ao romance policial já relançado pela Ática em 2014 com nova capa.

Para quem não sabe: “Escaravelho...” prende o leitor desde o início com homicídios que ocorrem num tal Vale das Flores, pequeno município fictício do interior, e cujas vítimas têm um ponto em comum: são todas ruivas. Sem desconfiar de seus trágicos destinos recebem, horas antes, um pacote que oculta um enigmático escaravelho.  

Alberto Maltese e delegado Pimentel passam a apurar os acontecimentos para, enfim, devolver a tranquilidade ao aprazível local. Mas que raios de besouro maldito é esse? Qual o desfecho de tanta violência aparentemente gratuita?

Desde 1972, a resposta está no livro – e, daqui a dois meses, também nas telonas de todo o Brasil.

Trechos iniciais do livro original

Hugo, um pacote para você! gritou Alberto, recebendo um pequeno embrulho das mãos do carteiro. Assinou o nome do irmão no papelzinho e foi levar-lhe a encomenda.

Hugo, que acabara de fazer a barba, mirava-se no espelho, ensaiando olhares longos e fatais para lançar às garotas na primeira oportunidade. O cristal refletia um rosto sardento de dezoito anos, extremamente simpático e sadio, aureolado por cabelos tão vermelhos que o moço era conhecido por “Foguinho”.

— Deve ser presente de alguma admiradora, disse ele, alegremente, examinando o endereço escrito à máquina. O barbante foi desatado, o embrulho desfeito e apareceu uma pequena caixa de forma retangular.

— Oba! Que é isso? Que coisa esquisita! Um bicho... gritou “Foguinho”, tirando de dentro um grande besouro negro com uma espécie de chifre na testa. A carapaça do inseto tinha reflexos azulados e seu corpo media cerca de quatro centímetros.

Pouco depois do meio-dia Alberto chegou da Faculdade de Medicina e foi diretamente para o quarto do irmão a fim de comentar com ele a prova que acabara de fazer. Estranhando encontrar a porta fechada por dentro, deu nela duas pancadas e chamou:

— Hugo! Hugo! insistiu ele, vagamente inquieto.

— Hugo! Hugo! Abra, sou eu, Alberto. Ninguém respondeu.

— Ele não se levantou até agora, disse a arrumadeira, aproximando-se. Aflito, Alberto afastou-se da porta, e, num forte impulso, atirou-se violentamente contra ela.

A madeira cedeu e... um quadro horrível apresentou-se diante daqueles dois olhos assustados: Hugo estava deitado no leito, com uma comprida espada fincada no peito, do lado esquerdo!