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| Polícia Civil irá investigar suposta omissão de socorro a detento |
Detento de 23 anos, que reclamava de fortes dores abdominais, deixou de ser atendido no último fim de semana por hospital de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) porque estava sem escolta armada. A direção da unidade prisional onde ele cumpre pena alega que solicitou escolta à Polícia Militar (PM), mas a corporação informou que não estava autorizada a acompanhar o preso. Com a recusa no atendimento, ele foi levado para Bauru. Boletim de ocorrência foi registrado e o caso será investigado.
A reportagem apurou que o detento da Penitenciária II (PII) de Balbinos começou a passar mal na tarde do último sábado (6). Mesmo após ser comunicada pela PM de que a escolta não seria realizada, a direção da unidade prisional autorizou o encaminhamento dele até a Santa Casa de Pirajuí, onde ele chegou acompanhado de dois agentes penitenciários.
No Pronto-Socorro (PS) do hospital, a equipe de plantão recusou-se a atender o preso sem a escolta e ele acabou sendo levado ao PS de Bauru, onde fez exames e foi medicado. A direção da PII acusa a Santa Casa de omissão de socorro. Procurada pela reportagem, a Polícia Civil disse que irá apurar o caso.
Orientação
A Santa Casa revela que foi orientada pela Coordenadoria das Penitenciárias da Região Noroeste do Estado a não atender detentos sem escolta armada. “Se houver qualquer problema aqui dentro, se houver alguma morte, quem vai responder por isso é o provedor pelo fato de não ter exigido a escolta armada”, declara a unidade.
O procedimento adotado, segundo o hospital, é fazer a triagem e, se for caso de extrema urgência, atender o preso. Caso contrário, ele será dispensado e orientado a buscar atendimento em outro local. A Santa Casa se comprometeu a levantar a ficha de atendimento do detento e dar retorno ao JC, o que não ocorreu até o fechamento desta edição.
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) não respondeu se o hospital foi orientado a não atender presos sem escolta. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que não há problemas na escolta de presos pela PM na região e que os acompanhamentos seguem escala de priorização.
“Sobre o caso específico do hospital de Pirajuí, a direção exige a presença da PM durante o atendimento médico dos detentos, o que não é previsto por nenhuma regra. Entretanto, é importante esclarecer que a Polícia Militar acompanha os detentos ao hospital, de forma regular, sempre que possível”, afirma.
Situação recorrente
O JC apurou que, no início de dezembro, dois detentos da PII de Balbinos também deixaram de ser atendidos pela Santa Casa de Pirajuí. Na ocasião, eles foram escoltados pela PM até o hospital, mas a viatura não pôde aguardar e os presos retornaram à unidade prisional sem realizar os exames. O caso também é investigado. Na semana passada, detento com o braço fraturado foi conduzido ao PS de Bauru. No mês passado, preso de 36 anos, também sem escolta, morreu quando era levado de Balbinos para Pirajuí.