| João Rosan |
| Tenente Victor Tosi, do Corpo de Bombeiros |
Com a chegada do verão é comum que as pessoas busquem lazer em locais onde seja possível driblar o calorão. Os dias quentes, contudo, podem trazer sérios riscos para quem procura se refrescar em piscinas, lagos e rios, sem tomar os devidos cuidados (veja dicas no quadro abaixo). Somente na região de Bauru, os casos de afogamento aumentaram sete vezes no início desde ano, em relação ao mesmo período de 2015.
A informação foi prestada pelo 1.º tenente Victor Felix Tosi Bomfim, oficial de relações públicas do 12.º Grupamento de Bombeiros - que abrange 69 municípios, incluindo Bauru. Tosi estaca que, de janeiro até o dia 12 de fevereiro de 2015, foram registrados apenas dois casos, com uma morte – um menino de 2 anos que se afogou na piscina de uma chácara, em Bauru.
Já no mesmo período deste ano, os bombeiros atenderam 14 ocorrências, com quatro mortes – uma delas em Bauru, de um adolescente de 13 anos. A morte dele ocorreu no dia 31 de janeiro, em área alagada por chuva nas dependências de uma chácara localizada na rua Bernardino de Campos, conforme o JC noticiou.
“Há riscos de afogamentos também por causa de chuvas intensas”, pontua Tosi, atribuindo o aumento de casos de afogamento ao excesso de calor registrado neste ano. “A gente percebe que está mais quente do que em 2015 e, consequentemente, as pessoas procuram se refrescar. Muitas vezes, porém, sem observar se o local é apropriado ou não”.
No ano passado inteiro, foram 35 afogamentos - entre casos que terminaram e óbitos e salvamentos.
Bebida alcóolica
O principal motivo que leva um banhista a se afogar está relacionado com a ingestão de bebidas alcóolicas, aponta o tenente Tosi. “Na maioria dos casos, a pessoa tomou algo alcóolico e foi nadar. A bebida faz perder a noção do perigo, os reflexos. Portanto, a gente sempre orienta: se beber, não entre na água”.
Logo atrás no ranking dos afogamentos, estão as vítimas que não sabem nadar. “Geralmente, tem um grupo de amigos se divertindo na água e a pessoa que não sabe nadar, por exemplo, resolve se aventurar junto com os outros. É quando ocorrem os acidentes”, explica.
Muitos dos casos envolvem crianças próximas a piscinas sem, contudo, a supervisão de adultos. “As crianças são muito curiosas e adoram água. Por isso, a atenção com elas deve ser redobrada”, alerta.
‘Palco’ de mortes
Com aproximadamente 60 mil metros quadrados de área, a Lagoa da Quinta da Bela Olinda já foi “palco” de várias mortes por afogamento em Bauru. Não existem estatísticas precisas, mas há quem estime que cerca de uma centena de pessoas perderam a vida no local ao longo das últimas décadas. Ontem pela manhã, a reportagem esteve no local e felizmente não encontrou nenhum banhista.
Depois da morte de Diego Luiz Pereira, 25 anos, em setembro do ano passado, representantes do poder público de Bauru decidiram intensificar força-tarefa com o intuito de viabilizar a revitalização da lagoa, por meio da construção de um parque urbano, conforme o JC divulgou.
O custo da intervenção é estimado em R$ 5,4 milhões, mas a prefeitura não dispõe da verba e o projeto, até o momento, ainda não saiu do papel.