08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Uma apresentação de ressonância harmônica e bela - o taiko

Sonia Berriel - Maestrina
| Tempo de leitura: 2 min

Assisti, na semana passada, no Teatro Municipal de Bauru, uma apresentação do Muguenkyo Bauru Wadaiko, que tem como coordenador e diretor cultural o sr. Shozo Nakamine. Os tambores japoneses, de variados tamanhos e com timbres distintos, encantaram a platéia por mais de uma hora de espetáculo.

Instrumento de percussão é um instrumento musical cujo som é obtido através do impacto, com ou sem o auxílio de baquetas. O taiko engloba uma grande variedade de instrumentos de percussão no estilo kumi-daiko (coleção de tambores).

Mas o que vi e ouvi naquela noite vai muito além do som obtido pelo choque brusco de um corpo sobre outro. Um grupo constituido por crianças e jovens se revesou no toque dos lindos tambores japoneses.

Numa atmosfera tradicional, as células rítmicas (por sinal variadíssimas!) foram apresentadas de forma impecável, com um sincronismo perfeito, mudanças de andamento, de acentuação e de dinâmica.

Até a troca de posição dos tambores no palco foi feita na mais perfeita coordenação.

Todos os integrantes sabiam o que deveriam fazer e se esmeravam em fazê-lo, com disciplina, graça e rapidez.

As baquetas, feitas de caxeta (madeira leve usada para não estragar o couro dos tambores), subiam e desciam nas mãos dos executantes numa coreografia impecável e sem nenhum deslize.

Ao som lindo dos tambores somava-se a e bela indumentária dos integrantes.

Eles trajavam um kimono simplificado de verão, que realçava sobremaneira o conjunto.

E ainda, de quando em quando, flautas japonesas e um saxofone traziam aos nossos ouvidos belas melodias enquanto os tambores tocavam em pianíssimo.

Excelente fusão e dinâmica perfeitas!

O grupo bauruense foi criado no Clube Nipo Brasileiro em 2004 e tem o apoio do clube até hoje.

Atualmente, os integrantes ensaiam no Recanto Tenri, na avenida Castelo Branco, todos os sábados, das 14h às 18 horas, sob orientação da professora e percussionita Jaqueline Yumi, que tem em seu currículo o fato de ter estudado a arte e a execução do taiko no Japão, por 3 anos.

Ela é, com certeza, uma expert nessa arte percussiva.

Atualmente, três jovens bauruenses foram selecionados por mestres do taiko que visitam periodicamente o Brasil e se encontram no Japão com bolsas de estudo, aperfeiçoando-se nessa arte milenar japonesa de mais de 1.500 anos.

Que orgulho para a nossa cidade!

Esse grupo luta para existir: faz venda de rifas, de yakisoba, recebe pequenos cachês, enfim, se entrega de forma cabal aos seus objetivos.

Os tambores custam caro...

Já se apresentaram em inúmeros lugares, sempre levando o nome de nossa cidade. Parabenizo todos os integrantes na pessoa do seu diretor cultural, sr. Shozo, e da professora Jaqueline.

Tocar percussão como tocam, com vontade e alegria estampadas nos rostos, é emocionante!

Vocês são amadores, porém com alto nível profissional. 

Parabéns ao Lions Clube de Bauru que, em boa hora, teve a iniciativa de apresentar o grupo no palco do Teatro Municipal.

O grupo Muguenkyo Bauru Wadaiko foi aplaudido em pé e longamente pela platéia presente. Essa manifestação calorosa de aplauso foi muito merecida.

Gostei!