| Quioshi Goto |
| Bairros mais antigos de Bauru ainda mantêm ruas com paralelepípedos |
Elas ainda estão presentes em bairros como Vila Guaggio, Vila Cardia, Higienópolis, Parque Vista Alegre, Jardim Bela Vista, Vila Alves Seabra e até no Centro da cidade. Para alguns, as ruas de paralelepípedos são charmosas e guardam a história de Bauru, já que o paralelepípedo foi a primeira forma de pavimentação que o município ganhou. Para outros, as vias estão ultrapassadas e representam algumas armadilhas.
“É difícil para andar, principalmente porque as ruas estão muito irregulares, uma pedra mais alta do que a outra. Em muitos lugares, como na rua onde eu moro, há muitos remendos feitos com asfalto, além de feio, fica ainda mais irregular. É ruim para os carros e para as pessoas é um perigo. Há muitos idosos nessa região que precisam se locomover para ir à farmácia, ao supermercado...”, narra o aposentado Antônio Alves Fernandes, morador da quadra 1 da rua Doutor Enéas de Carvalho Aguiar, na região do Poupatempo, Centro de Bauru.
A reportagem encontrou “seo” Antônio subindo a rua com dificuldades com sua bicicleta. Parte do sacrifício se deve ao solo irregular da via. Para ele, seria melhor se as ruas da região recebessem asfalto. “Ficaria muito melhor para a gente viver”, acredita.
Para especialista, falta conservação
As ruas de paralelepípedo são um desafio para a suspensão dos carros. Segundo o engenheiro mecânico e especialista no segmento automobilístico Marcos Serra Negra Camerini, isso não ocorre necessariamente por causa do tipo de pavimentação, mas sim pela falta de conservação do pavimento.
“Só o paralelepípedo não estraga nada. Ele é tão bom quanto o asfalto. O problema é que deixam buracos, deixam os blocos desnivelados, deixam afundar... E isso acaba com qualquer suspensão mesmo. A Prefeitura de Bauru, por exemplo, ao invés de recolocar o paralelepípedo depois de um trabalho, coloca um monte de asfalto em cima, fazendo uma bolha, uma corcova de asfalto na rua”, analisa.
Moradores apontam que as estruturas de pavimentação em questão ficam mais lisas em dias chuvosos (em relação ao asfalto). Por outro, Camerini comenta que o paralelepípedo é melhor para a drenagem do solo.
“É muito melhor porque a água entra pelas frestas das pedras e a terra absorve embaixo e água volta para o lençol freático. Com o asfalto isso não ocorre. Ele forma uma camada isolante. A calçada é de concreto, a rua de asfalto, ou seja, a terra embaixo não é irrigada”, acrescenta.
Europa
O asfalto é muito mais prático, rápido e lógico, até por sua aderência, já que o paralelepípedo é artesanal, colocado um a um, analisa Camerini. “Mas há países europeus, como a Itália, Portugal e Espanha, onde ruas e vielas são todas de paralelepípedo. Há manutenção e as pedras são recolocadas. Por aqui, as ruas de paralelepípedos estão abandonadas. Passa caminhões pesados, o serviço público joga uma camadinha de asfalto leve por cima dos buracos e isso vai acabando com os carros do bauruense mesmo”, aponta.