Recentemente, foi inaugurada em Bauru uma pista de skate, ótima ideia já que há tempos os praticantes vinham solicitando a mesma. Só que, 78 dias depois (conforme matéria do JC), a obra já apresenta defeitos maiores e, em breve, deverá ser interditada para consertos E cabe aí perguntar sobre a tramitação de um projeto de 700 mil reais que, por força das evidências, foi tratado de maneira leviana, seja no plano do projeto técnico, seja no âmbito do processo de licitação, seja na execução ou na fiscalização da obra.
Será que o prefeito fez tudo isso sozinho ou haveria, nos encaminhamentos legais desse tipo de processo, interferência (desejável) da Câmara de Vereadores para aprovação do projeto e, a montante, uma secretaria técnica que o concebeu?
Ora, sei que não se trata de copiar quem quer que seja, mas, às vezes, é bom se inspirar no conhecimento de países avançados nessa área e não precisar reinventar a roda cada vez que se fabrica uma bicicleta. Os Estados Unidos são exemplo e teria sido interessante se informar lá para poder avaliar quais normas técnicas deram certo para tal empreendimento, qual a frequência de usuários que suporta tal ou tal outra estrutura, coisas e tal. Os “nobres vereadores”, no mínimo, deveriam se certificar desse aspecto primordial antes de darem o aval.
Depois, vem a espinhosa questão da licitação em que os interesses pessoais frequentemente primam sobre os coletivos e em que o menor valor parece levar a taça. No entanto, qualquer um que tenha um mínimo de bom senso sabe que qualidade é fundamental. Aí também uma análise apurada é necessária, e não em termos de achismos ou de orçamento mais baixo, mas sim em termos de conhecimento técnico também, contábil nessa etapa. Provavelmente se pode encontrar aqui mesmo, nesse grande Brasil, quem tenha dados tão pertinentes, mas a questão é a mesma, esses dados foram consultados?
Afinal, quem ficou responsável por isso? Um funcionário qualquer da Prefeitura, da Secretaria de Obras, possivelmente. É uma pergunta. Essa fiscalização, se houver, gerou algum relatório? Relatório da entrada de materiais, por exemplo; relatório das normas técnicas aplicadas na obra; relatório das diversas observações que puderam ser notadas ao longo da execução da obra... Onde está o projeto aprovado na licitação e quem foi que aprovou? Essa parte, de verificação de conformidade, tem de ser realizada pela Câmara de Vereadores ou de que nos servem os legisladores se as leis não são aplicadas?
E o que temos? Um espaço sem segurança, sem grades ou alambrado de proteção que faz com que uma manobra mal executada resulte num skate aterrissando na rua ao lado, pior, na cabeça de algum transeunte, ou do carro de um bêbado (outra coisa não fiscalizada) se aventurar na pista de madrugada e danificá-la. Os banheiros são outra coisa inomináveis, pois se é previsível que haveria necessidade deles, como foi previsto, esqueceu-se da devida manutenção. E se não se sabe lidar com banheiro público, nem adianta se candidatar para administrar uma cidade, pois o sanitário é o reflexo da humanidade.
Em outras palavras, a forma com a qual o ser humano cuida dos seus dejetos é uma clara ilustração de sua formação ou de que maneira esses sanitários são apresentados. Some-se a isso as lixeiras de calçadas sempre lotadas de garrafas de bebidas alcoólicas, acumuladas por dias, que certamente foram esquecidas pelos caminhões de lixo, mais precisamente, não incluíram no trajeto um novo ponto de lixo a ser recolhido. Portanto, não é só construir, instalar, mas precisa também cuidar!
Vigilância Sanitária não existe. Eu que sou contribuinte tenho certeza que meu dinheiro é muito mal utilizado e gostaria de ver as coisas mudarem. Então, se o prefeito sempre leva a fama, eu estou ciente de que ele não é o único responsável e precisaria que todos façam corretamente o trabalho que lhes foi atribuído, no caso, os vereadores, que cá entre nós, fazem nada que se destaque nessa cidade de Bauru, a não ser receberem altos salários, entre outras benesses incluídas nesse sistema de corrupção brasileira. Que vergonha!