| Alex Mita |
| A fazenda São Leopoldo, na estrada que vai ao aeroporto, está ocupada desde o dia 7 de janeiro |
Os sem-terra ocuparam três fazendas ligadas à família Mondelli, sendo uma de Bauru e duas de Iacanga (50 quilômetros de Bauru). Inclusive, o proprietário de uma delas, a São Leopoldo, localizada na estrada municipal Murilo Vilaça Maringoni (estrada do aeroporto, próximo a Bauru-Iacanga), em Bauru, procurou a polícia, no último dia 9, para registrar uma ocorrência de furto de três bois. O local, conforme consta no boletim de ocorrência (BO), está ocupado desde o dia 7 de janeiro.
O advogado do proprietário da São Leopoldo, Fabio Resende Leal, conseguiu uma liminar junto à Justiça de Bauru, que determinou que o grupo desocupasse a área de forma espontânea. “Diante do descumprimento, buscamos a reintegração forçada, com o auxílio da polícia, o que foi deferido pelo juiz de Bauru. Só que, no Carnaval, o grupo conseguiu suspender o cumprimento da decisão do juiz de Bauru”, narra.
Contudo, o advogado obteve uma segunda decisão favorável ao proprietário das terras junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). “Temos as decisões de Bauru e de São Paulo concedendo a reintegração. Estamos aguardando algumas formalidades processuais para que possamos cumprir as duas”, explica. Na semana passada, outro grupo ocupou a fazenda Estrela, em Iacanga, também de propriedade do cliente de Leal.
Imediatamente, o advogado ingressou com uma ação de reintegração de posse, que corre em Iacanga, e obteve, nessa terça-feira (16), uma liminar que determinou a desocupação da área dentro de 48 horas, sob pena de multa de R$ 5 mil ao dia. “Se não houver desocupação voluntária, o juiz já autorizou o uso de força policial”, afirma.
Ocupações
Já o líder dos dois grupos, que se identifica como dirigente estadual da Frente Nacional de Luta (FNL), Ricardo Rodrigues, pondera que eles não pretendem deixar os locais, principalmente, a São Leopoldo, porque o movimento teria conseguido a concessão da fazenda, que está ocupada por 62 pessoas. Contudo, o advogado do proprietário argumenta que não há possibilidade de desapropriar a área, porque ela é explorada economicamente.
Sobre a denúncia de furto de gado no mesmo local, Rodrigues frisa que os bois teriam ultrapassado a cerca e foram encontrados na propriedade vizinha. Ele acrescenta que outras famílias pertencentes à FNL ocuparam a fazenda Santa Amélia, também de propriedade da família Mondelli, na semana passada. O advogado de seu proprietário, Paulo Henrique de Souza Freitas, já pediu a reintegração da área.
FRIGORÍFICO
Paulo explica que o local pertencia ao frigorífico Mondelli, que foi passado ao pai de seu cliente em 2010, ocasião em que um grupo de sem-terra acampou no acostamento. “Houve a decretação da falência do frigorífico e eles acharam que a propriedade seria destinada à União com o intuito de pagar as dívidas tributárias e, consequentemente, eles seriam assentados. Só que essa propriedade não tem nada a ver com o frigorífico e ela não está improdutiva”, finaliza.