09 de julho de 2026
Bairros

Até caixa em posto de saúde cria Aedes aegypti em Bauru

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: João Rosan
Na manhã dessa quarta (17), caixa de inspeção armazenava água parada e larvas do mosquito Aedes
José Carlos não poupou críticas: “Logo em um posto de saúde?”

Um caso de descuido no Núcleo de Saúde do Mary Dota chamou a atenção de pacientes, nessa quarta-feira (17). Uma caixa de inspeção (utilizada no aterramento de energia elétrica) instalada no chão do pátio da unidade, bem próximo à sala de espera, estava cheia de água e já era possível notar a presença de várias larvas do mosquito Aedes aegypti.

No formato circular, semelhante a um ralo, a caixa contém uma tampa de plástico, mas parte da estrutura foi danificada e um pequeno vão favorece a entrada de água da chuva no recipiente. Ninguém imagina, entretanto, há quanto tempo o equipamento está nessas condições.

O problema foi descoberto por crianças que brincavam no local ontem de manhã, enquanto aguardavam atendimento dos pais. Preocupados com os riscos de proliferação do Aedes (transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus) e indignados pelo falta de inspeção em uma área destinada à saúde, os pacientes entraram em contato com o JC.

“É um mau exemplo do poder público, que sempre pede prevenção por parte da população, mas esquece de fazer a lição de casa”, critica o aposentado Hélio dos Santos, 58 anos, que, nessa quarta (17), esteve na unidade para retirar leite para o filho.

Outro paciente, José Carlos Alves de Souza, 52 anos, esperava consulta em nutricionista. Ao perceber a situação, o porteiro não poupou críticas. “Logo em um posto de saúde? Inaceitável. Um absurdo!”, disse, enquanto observava bem de perto o equipamento.

Em nota enviada pela prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde informa que a peça integra o sistema de para-raios da unidade, cuja tampa já foi trocada várias vezes devido à retirada por terceiros. “O setor já providenciou a troca, além de adaptar um dispositivo de trava, impedindo a retirada da mesma”.

Copinhos

As críticas não cabem somente ao poder público. A caixa de inspeção repleta de larvas do Aedes contrastava com outro mau exemplo, dessa vez, da população. Em um jardim beirando a grade de entrada da unidade, vários copos plásticos “enfeitavam” o local. Uma funcionária que não quis se identificar disse que o material foi jogado ali por pacientes.  

“Tem lixo do lado do bebedouro, mas muitos descartam os copinhos no jardim”, frisou, enquanto apontava para um copo quase cheio d’água.

‘Guerra’ contra o mosquito continua hoje exatamente no bairro Mary Dota

Hoje, exatamente no Mary Dota, acontece a 3.ª etapa da Ação de Combate ao Aedes Aegypti, realizada pelo governo federal, através dos grupamentos do Exército de Bauru e Lins, em parceria com as secretarias municipais de Saúde e do Meio Ambiente (Semma).

Estima-se que cerca de 70 pessoas participem dessa ação, sendo 40 soldados, 17 profissionais  da Divisão de Vigilância e 15 funcionários da Semma, com saída às 8h30 da quadra 2 da rua Pedro Salvador, defronte à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota.

O trabalho

As equipes trabalharão na região do Mary Dota, com a realização de vistorias no interior dos imóveis localizados num raio de 200 metros a partir da UPA. A expectativa é que sejam trabalhados os imóveis de aproximadamente 20 quadras. Os funcionários da Semma farão a busca de criadouros em terrenos públicos localizados na área abrangida.

A secretaria enfatiza que não haverá coleta de materiais inservíveis depositados para descarte nas calçadas.

Balanço divulgado

A Secretaria Municipal de Saúde divulgou nessa quarta (17) o balanço geral da 2ª. fase da Ação de Combate ao Aedes aegypti, realizado no último sábado (13), em conjunto com os grupamentos de  Exército de Bauru e Lins, Sucen e Defesa Civil.

Foram: 1.055 imóveis orientados, 863 imóveis fechados, três não aceitaram receber a orientação, 287 atendimentos no Posto Fixo da Praça Rui Barbosa, 600 no Boulevard Shopping Nações e 300 no Bauru Shopping.

Moradores temem que os bueiros entupidos virem focos do inseto

Divulgação
Grávida de 3 meses, Kamila, ao lado da filha Maria Clara, evita ir pra rua: “Me sinto uma prisioneira”

Não é preciso andar muito para se deparar com bueiros entupidos em Bauru. Com o calorão e a chuvada, o problema fica mais evidente e torna-se comum encontrar água parada nestes locais, assim como ocorre nas quadras 5 e 6 da rua José Chaves de França, no Parque São João, onde quatro bocas de lobos estão obstruídas por lixo e terra.

Moradores temem que os bueiros virem criadouros do mosquito Aedes aegypti, uma vez que um vizinho, o auxiliar administrativo Sylvio Carlos da Silva, 50 anos, já contraiu dengue quatro vezes. “Essa situação só traz prejuízo para a nossa saúde”, critica.

Grávida de três meses, Kamila Cristina Pinheiro, 25 anos, se diz “prisioneira em casa” com medo da zika vírus. “A gente faz a nossa parte, mas o poder público, não. Procuro nem sair. Me sinto uma prisioneira dentro da minha própria casa”, define. 

O técnico em refrigeração Osvaldy Martins, 54 anos, estima que o problema dos bueiros perdura por quase um ano. “Até ofício já mandamos para a prefeitura, mas ninguém resolve a situação”, diz. Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues tranquiliza a população, afirmando que, em Bauru, não foram constatados casos de focos do Aedes em razão de bueiros entupidos.

“Já fizemos levantamento que não confirmaram a proliferação. Por mais que a boca de lobo esteja obstruída, a água acaba infiltrando e escoando, porque a estrutura não é vedada”, explica. Sobre os bueiros entupidos nas quadras 5 e 6 da rua José Chaves de França, o secretário garantiu que enviaria uma equipe no local até o início da semana que vem.

Divulgação
Caminhão já percorre vias de Bauru, porém, no próximo mês, será montado o cronograma

Cata Treco já em circulação

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) concluiu reforma e transformação de um caminhão de sua frota, transformando-o em “Cata Treco”. O veículo já percorre as ruas de Bauru, com o objetivo de recolher materiais que acumulam água, auxiliando o combate ao Aedes aegypti, conforme destaca a titular da pasta, Lázara Gazzetta.

O Cata Treco circula pela cidade recolhendo sofás velhos, geladeiras, fogões, móveis, pneus, entre outros, que são depositados de forma irregular em áreas públicas. No próximo mês, será montado um cronograma de trabalho das vias e bairros por onde o caminhão deve passar. 

População avisada

“Iremos avisar a população para que depositem nas calçadas estes materiais para recolhimento. No entanto, o serviço será feito somente a partir de março”, frisa a secretária, destacando que a criação do programa vem cumprir uma das metas firmadas com a Cetesb em 2015, para o prolongamento da vida útil do aterro sanitário.